Gustavo Cabral/ A12
Gustavo Cabral/ A12

As propostas de candidatos mencionadas no debate entre presidenciáveis

Veja quais foram as promessas abordadas durante o encontro desta quinta-feira, 20, realizado pela TV Aparecida

Igor Moraes, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 03h07

A TV Aparecida realizou nesta quinta-feira, 20, o quarto debate entre presidenciáveis das eleições 2018. Participaram do encontro sete candidatos: Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL que se recupera do atentado sofrido em Juiz de Fora (MG), segue internado no Hospital Albert Einstein e não participou do encontro. Cabo Daciolo, candidato pelo Patriota, foi convidado e não compareceu.

Propostas mencionadas durante o debate entre presidenciáveis

Durante o debate na TV Aparecida, os presidenciáveis apresentaram e comentaram propostas nas áreas de segurança pública, saúde, economia, sistema tributário, igualdade de gênero, demarcação de terras indígenas e combate à corrupção, entre outros temas. Veja abaixo os principais projetos e intenções dos candidatos, em ordem alfabética, para cada área citados durante o encontro, que contou ao todo com cinco blocos:

Alvaro Dias (Podemos)

Assim como em debates presidenciais anteriores, Alvaro Dias colocou o combate à corrupção como uma de suas prioridades caso seja eleito. O candidato do Podemos defendeu a eliminação do foro privilegiado e a transformação da operação Lava Jato em uma política de Estado. “Nos submetermos todos à lei e sermos iguais é a ideia fundamental da refundação da república”, afirmou.

Na área da segurança pública, o candidato definiu como prioridades a atenção ao financiamento, capacitação de policiais e indução de políticas corretas. Ele também defendeu investimentos em inteligência, integração de forças policiais nas regiões de fronteira e valorização dos profissionais da área.

Na economia, Alvaro Dias pregou a independência do Banco Central e a realização de uma auditoria da dívida pública brasileira. O presidenciável também defendeu a realização de reformas da previdência e do sistema tributário.

Ciro Gomes (PDT)

Para fortalecer o combate à corrupção e promover a ética na política, Ciro Gomes defendeu quatro alternativas: proposição de ideias para que as pessoas não elejam “pessoas”; proposição de mudanças na legislação nos primeiros momentos do governo para aproveitar a “força popular”; trocar as reformas por um novo pacto federativo; e a participação popular em situações de impasse no governo, por meio de referendos e plebiscitos.

Na saúde, Ciro defendeu a centralização da licitação de medicamentos e a implantação de prêmios para unidades básicas de saúde que cumpram metas de satisfação do usuário e de prevenção de doenças como diabetes e hipertensão. A ideia é dar R$ 100 mil para cada unidade de alcançar os objetivos.

O candidato do PDT também defendeu uma reforma urbana, com o aproveitamento de imóveis vazios pertencentes ao Estado nos centros das cidades para equacionar problemas de moradia. “Temos que começar por aí, é a lei do menor esforço”, disse Ciro.

Ciro também defendeu uma reforma no sistema tributário e voltou a citar a tributação de lucros e dividendos.

Por fim, o candidato apontou a possibilidade de um programa de compras governamentais de produtores da agricultura familiar.

Fernando Haddad (PT)

Em seu primeiro debate como candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad defendeu a revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos aprovado durante o governo de Michel Temer e o investimento em áreas sociais.

Para combater a corrupção, Haddad defendeu o fortalecimento de instituições como Controladoria, Polícia Federal e Ministério Público. Ele também defendeu a individualização daqueles que cometerem ilícitos, com punições exemplares.

Na imigração, o ex-prefeito de São Paulo disse que pretende expandir para todo País a política de acolhimento de imigrantes promovida por sua gestão na capital paulista. “Nós entendemos que o Brasil tem um grande papel nesse tema. A intolerância está crescendo no mundo e o Brasil é um exemplo de paz”, disse.

Em sua proposta mais elaborada apresentada durante o debate na TV Aparecida, Haddad propôs a fixação de um imposto de valor agregado para reunir todos os outros impostos sobre consumo. O objetivo, de acordo com ele, é diminuir a carga tributária para os mais pobres. O petista afirmou que seu projeto garantirá a receita de impostos para Estados durante a transição do sistema tributário, evitando queda de arrecadação.

Na área da segurança pública, o ex-prefeito de São Paulo sugeriu a criação de um sistema único de segurança. Ele também defendeu o trabalho integrado de prefeitos e governadores na organização dos territórios para coibir violência. Haddad também defendeu a federalização de crimes relacionados à organizações criminosas e priorizou o combate a homicídios, estupros e roubos.

Geraldo Alckmin (PSDB)

O presidenciável tucano afirmou que pretende tipificar o crime de enriquecimento ilícito como forma de combater a corrupção. Além disso, Geraldo Alckmin também sugeriu a inversão do ônus da prova para funcionários estatais.

O ex-governador de São Paulo voltou a falar sobre a necessidade de uma reforma política que reduza o número de partidos no Brasil, argumentou pela adoção do sistema distrital misto e disse que pretende acabar com o voto obrigatório.

Alckmin voltou a defender a implementação de um imposto único, a realização de uma reforma da previdência e a manutenção da reforma trabalhista.

Na economia, o tucano disse defender uma “agenda de competitividade” e prometeu acabar com a necessidade de autorização do Presidente da República para a entrada de um banco estrangeiro no Brasil.

Alckmin também se comprometeu a apoiar crédito a juro zero para o micro e pequeno empreendedor.

Na educação, ele disse que pretende investir na educação básica e no ensino infantil e que o objetivo é zerar a falta de vagas na pré-escola.

Guilherme Boulos (PSOL)

Para reformar o sistema político, Guilherme Boulos propôs o combate ao poder econômico na política e sugeriu o fim de qualquer possibilidade de financiamento privado de campanhas eleitorais. Além disso, o candidato do PSOL também defendeu maior transparência e participação popular nas decisões do governo, por meio de plebiscitos, referendos e conselhos.

O presidenciável também disse que, se eleito, deverá convocar um referendo para revogar a reforma trabalhista e o teto de gastos públicos.

Para trabalhar pela igualdade de gênero, Boulos prometeu a criação de uma lista suja do machismo, na qual seriam inscritas empresas onde fossem constatadas desigualdades salariais entre homens e mulheres. Estas empresas seriam impedidas de tomar empréstimos com bancos públicos e fazer negócios com o governo.

Na mesma linha, o presidenciável sugeriu a federalização da lista suja do trabalho infantil, na qual empresas flagradas em situação irregular teriam seus registros cassados.

Na área da comunicação, o candidato do PSOL disse que pretende democratizar o acesso à mídia por meio da valorização de TVs públicas e comunitárias.

Boulos sugeriu a desmilitarização da polícia e a descriminalização das drogas como estratégias de segurança pública. “Temos que tratar o abuso de substâncias químicas como problema de saúde pública”, afirmou.

Henrique Meirelles (MDB)

O ex-ministro repetiu o tom do discurso adotado em debates anteriores ao colocar como prioridade de seu governo o crescimento econômico do País. Uma de suas promessas é criar dez milhões de empregos.

Na segurança pública, o ex-ministro da Fazenda sugeriu a criação de um sistema nacional de informações que possa trabalhar junto com as polícias nos Estados. Ele também propôs tratados com países vizinhos para o combate à violência nas fronteiras.

Outra proposta de Meirelles apresentada durante o debate foi garantir o ensino em tempo integral em todas as escolas de ensino médio e fundamental. Ainda na educação, ele sugeriu que o Prouni fosse estendido para creches.

Na área tributária, o emedebista disse ser contrário à criação de uma nova CPMF. “É um exemplo do que não pode ser feito”, afirmou.

Marina Silva (Rede)

Na área do combate à corrupção, Marina Silva disse que sua proposta recebeu contribuições da Transparência Internacional e declarou que pretende tomar medidas para garantir a autonomia do Ministério Público e da Polícia Federal.

Um das propostas citadas pela presidenciável da Rede para a saúde durante o debate na TV Aparecida foi dividir o País em 400 regiões, onde seriam nomeadas (por meio de concurso público) autoridades nacionais para atuar em parceria com autoridades dos municípios e Estados. A candidata prometeu também quebrar patentes de medicamentos de alto custo e incentivar a formação de médicos generalistas.

Marina disse que é contra a recriação da CPMF e disse que sua proposta é promover uma reforma tributária de descentralize recursos. “Temos que fazer uma reforma tributária que ajude que o dinheiro não fique só na União”, disse. A candidata também afirmou ser favorável a impostos progressivos.

Outra proposta de Marina é a implementação de um sistema nacional de segurança pública e o investimento em melhores remunerações para policiais.

Por fim, a candidata também disse que pretende manter nas mãos da Presidência da República a prerrogativa de demarcação de terras indígenas.

Primeiro debate eleitoral com Fernando Haddad

O debate entre os presidenciáveis na TV aparecida foi o primeiro  a contar com a participação de Fernando Haddad, antigo candidato a vice que foi promovido à cabeça de chapa do PT depois que a Justiça Eleitoral rejeitou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava Jato

No encontro, Haddad foi um dos alvos principais e teve de responder ataques de seus concorrentes aos governos de Lula e Dilma Rousseff. Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Ciro Gomes e Alvaro Dias criticaram falhas e omissões das gestões petistas no Planalto.

O ataque mais duro partiu do candidato do Podemos. Dias afirmou que Haddad era um “porta-voz da tragédia” e "representante do caos".

Confira aqui as datas dos próximos debates e sabatinas com os candidatos a presidente nas eleições 2018.

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