Dida Sampaio/Estadao
Dida Sampaio/Estadao

Alckmin e Ciro se movimentam para atrair o Centrão nas eleições 2018

Presidenciáveis se reúnem com líderes de partidos em Brasília; representantes do DEM estiveram com ambos

Vera Rosa e Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 05h00

Em busca de adesões para as eleições 2018, os pré-candidatos do PSDB e do PDT ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, se reuniram a portas fechadas nos últimos dois dias com líderes de partidos que formam o chamado Centrão. Em comum, ambos participaram de encontros com representantes do DEM, que jantaram com Ciro na noite desta terça-feira, 19, e tomaram café com Alckmin na manhã seguinte. O tucano se encontrou também com dirigentes do PTB e do PRB, enquanto o pedetista se reuniu com líderes do PP, Solidariedade e PRB.

O café da manhã de Alckmin com dirigentes do DEM ocorreu no apartamento do deputado e ex-ministro da Educação Mendonça Filho (PE), que já chegou a ser cotado para ser vice do tucano. Estavam presentes o presidente nacional da legenda, o prefeito de Salvador ACM Neto, e o líder do partido na Câmara, deputado Rodrigo Garcia (SP). No fim do dia, Alckmin foi ao encontro de Roberto Jefferson, na sede do PTB.

Após os encontros com líderes do DEM e PTB, e com o ex-ministro Marcos Pereira, que comanda o PRB, o ex-governador de São Paulo disse estar num processo de “aproximações sucessivas” com o centro político. “Eleição não é vale tudo. Queremos fazer uma aliança em torno de um programa e para governar. Estou conversando com todo mundo”, disse

Horas antes, na noite anterior, entretanto, ACM Neto havia jantado com Ciro Gomes ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de representantes do PP, Solidariedade e PRB. O encontro terminou na madrugada. O Estado apurou que a conversa com Ciro animou mais o DEM, embora haja resistências internas à candidatura do ex-ministro.

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À tarde, já em Salvador, ACM Neto disse que a plataforma política defendida pelo pedetista “não é incompatível” com a do seu partido. “Não considero a plataforma do Ciro incompatível com a do Democratas”, disse Neto durante evento de inauguração de um abrigo na capital baiana. “Foi uma primeira conversa que nós tivemos, de aproximação, de troca de opiniões a respeito do cenário político. É óbvio que, se fôssemos avançar para um diálogo em torno de uma aliança eleitoral, a questão programática seria central. Não há possibilidade de acordo político-eleitoral sem uma confluência programática”, disse. 

Nos bastidores, integrantes do DEM admitem não ter gostado da escolha do ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) para ser o coordenador político da campanha de Alckmin. Motivo: Perillo é ferrenho adversário do senador Ronaldo Caiado (GO), pré-candidato do DEM ao governo de Goiás.

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O bloco formado por DEM, PP, Solidariedade e PRB vai marcar uma conversa com Alckmin para o início de julho. O grupo pretende anunciar quem apoiará, em conjunto, para a Presidência até o próximo dia 15. 

Nordeste. Com índices que variam de 6% a 7% das intenções de voto, Alckmin decidiu intensificar a ofensiva para se contrapor ao presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, e tirar apoios de Ciro Gomes (PDT). A ideia é vestir o figurino de anti-Bolsonaro, hoje usado por Ciro. 

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A estratégia tucana também prevê o reforço da campanha no Nordeste, região onde o ex-governador de São Paulo enfrenta mais dificuldades. O PSDB quer aproveitar as festas juninas para “apresentar” o seu candidato em redutos da esquerda e onde Bolsonaro está muito à frente do tucano. 

Alckmin desembarca em Caruaru (PE) nesta sexta-feira, 22. A prefeita da cidade, Raquel Lyra, ex-delegada da Polícia Federal, foi escalada para integrar a equipe que prepara o programa de segurança pública de Alckmin. A plataforma é vista pelo PSDB como outro “trunfo” contra Bolsonaro. De Caruaru, Alckmin seguirá neste sábado, 23, para o arraial de Campina Grande (PB).

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