VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO
VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO

Alckmin poupa Alvaro Dias ao criticar infidelidade partidária

Em novo vídeo produzido pela equipe de marketing digital do tucano, que passou a circular nas redes sociais, presidenciável do Podemos não é citado em lista com pré-candidatos que já mudaram de legenda

Adriana Ferraz e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 05h00

Em busca de uma aliança ainda no primeiro turno, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin poupou críticas ao senador Alvaro Dias (PR), pré-candidato do Podemos à Presidência, em novo vídeo de campanha que passou a circular nesta segunda-feira, 18. 

Para ressaltar o fato de Alckmin estar filiado ao PSDB há quase 30 anos, a equipe de marketing digital do tucano produziu um filme que enumera os partidos pelos quais já passaram Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB). Dias, que mudou oito vezes de sigla, ficou fora da lista.

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O vídeo, cujo tema é “coerência na política”, também não cita que o próprio Alckmin já mudou de partido uma vez. Antes de o PSDB ser criado, em junho de 1988, o ex-governador era filiado ao MDB, informação omitida na propaganda feita para as redes sociais. “Veja o Geraldo Alckmin, há 30 anos no mesmo partido, o PSDB. Se você cobra coerência, seja coerente”, diz a mensagem.

Segundo a assessoria de Alckmin, a estratégia foi revelar a trajetória partidária dos pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, além de Meirelles, classificado como o candidato do governo Michel Temer. Seria essa a justificativa para Dias não ter sido alvo, apesar de registrar cerca de 4% nas principais pesquisas de intenção de voto – o emedebista tem apenas 1%.

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A campanha de Alckmin coloca Bolsonaro como o presidenciável recordista no troca-troca partidário, apesar de o deputado ter mudado de partido o mesmo número de vezes do senador. O vídeo afirma que o deputado começou a carreira parlamentar no PDC, depois passou pelo PP, PPR, PPB, PTB e PFL. Depois, voltou para o PP, mudou para o PSC e hoje é filiado ao PSL, após namorar o Patriotas. “Vai gostar de mudar de partido, hein?”, ironiza a campanha tucana.

“Ciro Gomes também rodou bastante por aí. Foi do MDB, passou pelo PSDB, mudou para o PPS, mas não parou por lá. Foi para o PSB para logo depois ir para o PROS. Neste momento, o Ciro está no PDT, mas por enquanto”, afirmam os tucanos.

Até mesmo Marina Silva, cortejada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para compor uma aliança de centro, foi alvo das críticas do PSDB. O vídeo faz questão de ressaltar que a pré-candidata foi uma das fundadoras do PT e depois migrou para o PV, para o PSB e agora “parece que se acomodou na Rede”, a sigla que criou. Meirelles também é citado – antes do MDB, foi filiado ao PSDB e ao PSD.

Pré-candidato ao Senado por São Paulo, o ex-tucano Mario Covas Neto, hoje no Podemos, afirma que político deve ser firme, deve ter coerência é com as suas ideias, com o seu discurso, não com o partido. “Ruim é mudar de partido por conveniência, por questões eleitorais. Esse não é o caso de Álvaro Dias nem o meu”, afirma. O senador passou duas vezes pelo PSDB.

Sobre não ter divulgado a passagem pelo MDB, a equipe de Alckmin disse que ele está há 30 anos no mesmo partido e que o PSDB não existia quando o ex-governador iniciou sua vida pública. Não teria sido, portanto, uma troca como os demais presidenciáveis praticam, baseada em cargos ou interesses eleitorais. 

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Questionado sobre a decisão do PSDB de poupá-lo e a possibilidade de aliança com seu ex-partido, Dias disse que não guarda ressentimento e está disposto a conversar com os tucanos, mas considera “difícil” uma aliança no primeiro turno.

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