Toffoli manda para a Justiça Federal denúncia contra ex-ministro da Educação por homofobia

Toffoli manda para a Justiça Federal denúncia contra ex-ministro da Educação por homofobia

Ministro do STF atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República depois que Milton Ribeiro perdeu foro ao deixar o governo; ex-chefe do MEC associou homossexualidade a 'famílias desajustadas'

Rayssa Motta

13 de junho de 2022 | 16h24

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi denunciado por homofobia. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira, 13, que a denúncia contra o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, por homofobia seja enviada para a Justiça Federal do Distrito Federal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), que ofereceu a denúncia, defendeu a transferência do caso para primeira instância depois que Ribeiro deixou o cargo. O ex-ministro pediu exoneração em março em meio ao escândalo do gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação (MEC), revelado pelo Estadão.

A denúncia deve ser enviada ao Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), em Brasília, para distribuição a uma das Varas Federais do Distrito Federal.

“Acolhendo o parecer da d. PGR, reconheço a incompetência desta Suprema Corte para processar e julgar o feito”, escreveu Toffoli.

A investigação por homofobia foi aberta depois que o então ministro afirmou, em entrevista concedida ao Estadão em setembro de 2020, que adolescentes “optam” pelo “homossexualismo” por pertencerem a “famílias desajustadas”. A PGR diz que Ribeiro induziu o “preconceito contra homossexuais colocando-os no campo da anormalidade” e reforçou o “estigma social” contra a população LGBTQIA+.

Relator do caso, Toffoli não chegou a analisar o mérito das acusações. O próprio ministro abriu prazo para a PGR se posicionar sobre uma eventual transferência do processo. Caso a denúncia seja aceita, o ex-ministro vira réu em uma ação penal.

No mês passado, outra investigação que atinge Milton Ribeiro, sobre o loteamento do MEC a líderes evangélicos, já havia sido enviada para primeira instância em razão da perda do foro por prerrogativa de função.

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