Procurador de Minas recebeu R$ 124 mil em dois meses, após reclamar do ‘miserê’ de seu salário

Procurador de Minas recebeu R$ 124 mil em dois meses, após reclamar do ‘miserê’ de seu salário

Leonardo Azeredo dos Santos, do Ministério Público mineiro, queixou-se do próprio contracheque, em julho; em agosto, de licença médica, ganhou R$ 76,7 mil e, em setembro, R$ 47,2 mil, segundo dados do portal Transparência

Pedro Prata

02 de dezembro de 2019 | 05h00

O procurador de Justiça Leonardo Azeredo dos Santos, do Ministério Público de Minas, recebeu R$ 100 mil líquidos nos dois meses seguintes após reclamar, em agosto, que seu contracheque de R$ 24 mil (livre de descontos) era um ‘miserê’. Seus vencimentos totais, somados no período de agosto e setembro, chegaram a R$ 124.029,85.

Leonardo Azeredo dos Santos. Foto: Redes sociais

Azeredo chamou o próprio salário de ‘miserê’ durante a 5.ª sessão extraordinária da Câmara de Procuradores de Justiça de Minas, realizada no dia 12 de agosto, para discutir a proposta orçamentária para 2020.

“Como é que o cara vai viver com 24 mil reais?”, questionou, na ocasião.

No entanto, no mês de julho, somaram-se aos R$ 24 mil indenizações e remunerações retroativas ou temporárias que elevaram o vencimento de Azeredo para R$ 65.152,99 – mantendo a média de R$ 68 mil líquidos recebidos pelo procurador mês a mês, desde janeiro.

OUÇA AZEREDO RECLAMAR DO SALÁRIO DE R$ 24 MIL LÍQUIDOS (A PARTIR DO MINUTO 31):

“Dentro do orçamento, não há qualquer perspectiva, nenhum sonho da administração de incrementar qualquer vantagem que aumente nossa remuneração?”, disse o procurador em seu queixume.

O áudio da sessão foi disponibilizado pelo próprio site do Ministério Público, no início de setembro.

Licença médica

Após a repercussão em torno do ‘miserê’, a Procuradoria mineira informou que o procurador tirou licença médica. Ele retornou às atividades no dia 7 de novembro.

Não é possível saber quanto Azeredo recebeu durante todo o período de sua ausência, visto que no portal Transparência do Ministério Público de Minas só há informações até setembro.

Em agosto, portanto no mês do ‘chororô’ de Azeredo, ele recebeu R$ 35.462,22 – mais indenizações e remunerações retroativas/temporárias que elevaram seu contracheque para R$ 76.794,29.

No mês seguinte, o holerite do procurador se manteve nos R$ 35.462,22. Com os complementos, foi a R$ 47.235,56.

Sede da Procuradoria mineira. Foto: Google Maps/Reprodução

Apesar de ser Azeredo quem manifestou sua insatisfação com o contracheque, ele não foi o campeão de salários entre os procuradores do Ministério Público mineiro.

Em julho, ele recebeu R$ 65.152,99 líquidos. O valor, no entanto, não esteve nem entre os cem mais altos pagos pela Procuradoria naquele mês – 138 procuradores e promotores de Justiça ganharam de R$ 65,2 mil a R$ 88 mil no período, em cifras limpas.

A situação levou um advogado mineiro a promover uma campanha nas redes para ajudar o procurador a sair do miserê – ‘Doe aqui e ajude o procurador de Minas a sair do miserê’.

Advogado de minas ironizou fala do procurador de Justiça Leonardo Azeredo dos Santos. Foto: Facebook/@marielmarra/Reprodução

COM A PALAVRA, LEONARDO AZEREDO DOS SANTOS

A reportagem aguarda um posicionamento do procurador mineiro. O espaço está aberto para manifestação. (pedro.prata@estadao.com)

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