R$ 24 mil é salário ‘miserê’ para procurador de Minas

R$ 24 mil é salário ‘miserê’ para procurador de Minas

Ouça Leonardo Azeredo dos Santos, durante reunião de procuradores do Ministério Público do Estado, clamando por apoio do procurador-geral de Justiça para aumentar contracheque que, em julho, bateu em R$ 65 mil com a inclusão de indenizações e remunerações retroativas

Pedro Prata

10 de setembro de 2019 | 15h43

O áudio de uma reunião no Ministério Público de Minas mostra o procurador de Justiça Leonardo Azeredo dos Santos reclamando enfaticamente do seu contracheque de R$ 24 mil. Um ‘miserê’, segundo ele. Ouça a partir do minuto 31:

‘Como é que o cara vai viver com 24 mil reais?’, questiona Azeredo ao procurador-geral de Justiça Antônio Sérgio Toné durante discussão do orçamento da instituição para 2020, realizada na sessão de 12 de agosto e agora tornada público.

De acordo com o Portal da Transparência disponível no site do Ministério Público de Minas, Azeredo recebeu, em julho último, um rendimento líquido de R$ 23.803,50, que se aproxima da ‘chorumela’ de R$ 24 mil.

Leonardo Azeredo dos Santos. Foto: Redes sociais

No entanto, no mesmo mês, somaram-se a esse valor indenizações e remunerações retroativas ou temporárias que elevaram o vencimento de Azeredo para R$ 65.152,99.

“Dentro do orçamento, não há qualquer perspectiva, nenhum sonho da administração de incrementar qualquer vantagem que aumente nossa remuneração?”, seguiu o procurador em seu queixume.

Sede do Ministério Público de Minas Gerais. Foto: Google Maps/Reprodução

“Quero saber se nós, ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se Vossa Excelência já planeja algo, dentro de sua criatividade, para melhorar nossa situação. Ou se vamos continuar nesse miserê aí”, insistiu.

‘Eu, infelizmente, não sou de origem humilde. Eu não sou acostumado com tanta limitação’, justifica, alegando que, mesmo assim, ‘já estou baixando meu padrão de vida bruscamente’.

Leonardo Azeredo foi adiante. “Eu já estou fazendo a minha parte. Deixei de gastar 20 mil no cartão de crédito e passei a gastar 8 mil, para poder viver com meus 24 mil reais. Mas eu e muitos outros já estamos vivendo a base de comprimido. Eu estou falando aqui à base de dois ansiolíticos por dia.”

Ele conclui. “Nós vamos virar pedinte, quase? Será que estou pedindo muito, para o cargo que ocupo?”

‘Todos nós aqui, alguns beirando os 30 anos de carreira, que vão perder todo tipo de atrasado’, reclama Azeredo. ‘E vamos passar, no ano que vem, a receber o verdadeiro salário nosso que todos constataram que é relativamente baixo.’

COM A PALAVRA, O PROCURADOR

Por meio da assessoria de comunicação do Ministério Público de Minas Gerais, o procurador de Justiça Leonardo Azeredo dos Santos informou que não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS

“Em relação à 5ª sessão extraordinária da Câmara de Procuradores, realizada no dia 12 de agosto, para discussão da proposta orçamentária para 2020, na qual houve manifestação de cunho pessoal de um dos integrantes do colegiado sobre a política remuneratória da instituição, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informa que não há nenhum projeto em andamento sobre a adoção de benefícios pecuniários para a carreira de membros (procuradores e promotores de Justiça) ou de servidores, em vista da grave crise financeira vivenciada pelo estado e da necessidade de observação da Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal.

Frente a essa realidade o MPMG informa ainda que vem tomando medidas de austeridade para aumentar a eficiência administrativa e reduzir os gastos, principalmente com pessoal. Esse conjunto de medidas tem se mostrado eficiente para manter o Ministério Público dentro do limite legal de 2% da Receita Corrente Líquida.

Diante da mencionada crise financeira e no intuito de garantir a capacidade da instituição de continuar atendendo às necessidades atuais e futuras da sociedade, a administração e os colegiados do MPMG (Câmara de procuradores de Justiça e Conselho Superior do Ministério Público) vêm debatendo continuamente a respeito de medidas que possam vir a ser tomadas sem, entretanto, haver ainda definido sobre tais iniciativas.”

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