PF indicia operador do PSDB por lavagem e quadrilha

PF indicia operador do PSDB por lavagem e quadrilha

Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa de governos tucanos em São Paulo, preso desde 19 de fevereiro, é investigado pela Operação Lava Jato do Paraná

Julia Affonso e Luiz Vassallo

14 de março de 2019 | 18h26

Paulo Vieira de Souza. Foto: JF Diorio/Estadão

A Polícia Federal indiciou nesta quinta-feira, 14, o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, apontado pela Operação Lava Jato como operador do PSDB, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Vieira de Souza está preso desde 19 de fevereiro, em São Paulo, e foi transferido para a Superintendência da Federal, em Curitiba, nesta quarta-feira, 13.

Documento

“O farto material probatório colhido no âmbito do processo cautelar que culminou com a prisão e cumprimento de mandado de busca na residência de Paulo Vieira de Souza e os outros documentos decorrentes dessas buscas apontam firmemente a participação do investigado no esquema criminoso descortinado”, afirmou o delegado da PF Alessandro Netto Vieira.

“Promova-se seu indiciamento pela prática dos crimes contidos no artigo 1 da Lei 9.613/98 (lavagem de dinheiro) e artigo 288 do Código Penal (formação de quadrilha), dada a época dos fatos quando ainda vigia tal tipo penal.”

A PF interrogou Vieira de Souza. O ex-diretor da Dersa relatou que ‘no momento atual não estava trabalhando, administrando suas empresas, posto que estava em regime de prisão domiciliar desde setembro de 2018’.

“No tocante às perguntas formuladas pela autoridade policial referente à investigação em tela, reservou-se em seu direito constitucional de permanecer em silêncio e somente responder às perguntas que lhe forem formuladas em juízo”, relata o depoimento.

“Já foi preso anteriormente em duas oportunidades em processos que tramitam perante a Justiça Federal de São Paulo, mas se proclama inocente. Gostaria de consignar que permanece fazendo uso de tornozeleira eletrônica, que lhe foi colocada a mando do juízo da 5ª Vara Federal de São Paulo, no entanto, a mesma está descarregada, posto que os agentes da carceragem local não permitiram que o interrogado a carregasse, assim, gostaria de consignar que não está descumprindo nenhuma ordem judicial.”

Antes de ser pego pela Lava Jato do Paraná, o operador do PSDB estava em recolhimento domiciliar integral e monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica desde setembro do ano passado. A decisão havia sido tomada pelos ministros da Segunda Turma do Supremo após a prisão de Paulo Vieira de Souza pela Lava Jato de São Paulo.

O ex-diretor da Dersa já havia sido preso duas vezes pela Lava Jato em São Paulo no ano passado. Paulo Vieira de Souza foi condenado em duas ações penais.

Em um processo, ele pegou 27 anos de prisão (sete anos e oito dias em regime fechado e 20 anos de detenção em regime semiaberto e aberto) por cartel e fraude à licitação e 145 anos e oito meses de prisão por peculato, inserção de dados falsos e associação criminosa.

Em 1º de março, Vieira de Souza virou réu pela terceira vez na Lava Jato São Paulo. O juiz Diego Paes Moreira, da 6.ª Vara Federal, aceitou uma denúncia da força-tarefa da Lava Jato São Paulo contra o ex-diretor da Dersa por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Entenda a investigação da Lava Jato do Paraná

O Ministério Público Federal afirma que Paulo Vieira de Souza disponibilizou, a partir do segundo semestre de 2010, R$ 100 milhões em espécie ao operador financeiro Adir Assad, no Brasil. Assad entregou os valores ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, aos cuidados do doleiro Álvaro José Novis – que fazia pagamentos de propinas, a mando da empresa, para vários agentes públicos e políticos, inclusive da Petrobrás.

“Esse, por sua vez, repassou o dinheiro, ainda no exterior, mediante a retenção de comissões, diretamente a Paulo Vieira de Souza, ou, por vezes, a doleiros chineses, que se encarregavam de remeter os valores, também por meio de instituições bancárias estrangeiras, ao representado (Paulo Vieira de Souza)”, narrou a Lava Jato.

A Procuradoria da República afirmou ainda que o ex-diretor da Dersa manteve R$ 131 milhões em quatro contas no banco Bordier & CIE, de Genebra, em nome da offshore panamenha Groupe Nantes SA, da qual o operador é beneficiário econômico e controlador. As contas foram abertas em 2007 e mantidas até 2017.

COM A PALAVRA, PAULO VIEIRA DE SOUZA

A reportagem fez contato com a defesa de Paulo Vieira de Souza. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, PSDB

Quando Paulo Vieira de Souza foi preso no dia 19 de fevereiro, o PSDB declarou:

“O PSDB de São Paulo esclarece que não é parte no processo em questão e não mantém qualquer tipo de vinculo com o sr. Paulo Vieira, jamais recebeu qualquer contrapartida de empresas nem autorizou terceiros a fazê-lo em seu nome. Os recursos recebidos pelo partido, em período eleitoral ou não, foram doados de maneira absolutamente legal e declarados à Justiça Eleitoral, respeitando a legislação vigente.”

“A Executiva Nacional do PSDB não foi informada sobre os detalhes do caso, mas reitera seu apoio e confiança na justiça brasileira, em vista dos esclarecimentos prestados pelo ex-senador Aloysio Nunes”.

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