PF prende ex-Casa Civil e dois ex-secretários de Saúde do Amazonas

Operação Custo Político, deflagrada nesta quarta-feira, 13, pegou Raul Zaidan, Pedro Elias e Wilson Alecrim e também empresários por suposta organização criminosa montada para desvios de verbas do SUS

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo

13 de dezembro de 2017 | 14h41

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira, 13, o ex-secretário-chefe da Casa Civil do Amazonas Raul Zaidan, que ficou nove anos no cargo (Governos Eduardo Braga, Omar Azis e José Melo de Oliveira), por suspeita de ligação com esquema de corrupção e desvios de verbas da área da saúde. Zaidan é o alvo principal da Operação Custo Político, que prendeu também dois ex-secretários da Saúde do Estado, Pedro Elias e Wilson Alecrim, além de dois ex-secretários executivos da Pasta, um ex-secretário de Administração e Gestão e empresários.

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O nome da Operação Custo Político é uma referência à expressão utilizada pelo empresário e médico Mouhamad Moustafá, já acusado em outra investigação pelo desvio de R$ 100 milhões da saúde. Ele caiu no grampo da PF falando de propinas pagas aos ex-secretários e outros servidores públicos.

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Custo Político, ação integrada da PF com a Controladoria-Geral da União e da Procuradoria da República, foi autorizada pela juíza Ana Paula Serizawa e cumpre 3 mandados de prisão preventiva, 9 de prisão temporária, 27 de condução coercitivas, 27 de busca e apreensão e 18 de sequestro de bens móveis e imóveis, incluindo uma aeronave Cessna560 XLS.

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Custo Político é um desdobramento da Operação Maus Caminhos, desencadeada em setembro de 2016.

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A PF informou que os envolvidos no esquema de desvios da saúde deverão ser indiciados por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa.

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A investigação mostra que os crimes eram praticados por membros da organização criminosa alvo da primeira fase (Maus Caminhos) que, ‘utilizando-se dos recursos públicos desviados do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas, realizavam pagamentos de propina a agentes políticos e servidores públicos, com o objetivo de obter facilidades dentro da administração pública estadual, tais como agilizar a liberação de pagamentos, obtenção de contratos públicos e o encobrimento dos ilícitos praticados’.

A Justiça determinou o bloqueio dos bens e valores dos investigados no montante de aproximadamente R$ 67 milhões para eventual futuro ressarcimento do Estado.

A operação foi executada em Manaus, São Paulo, Recife e Brasília. Foram mobilizados 135 policiais federais e 6 auditores da Controladoria.

A reportagem está tentando contato com a defesa do ex-secretário-chefe da Casa Civil Raul Zaidan, e dos outros alvos da Operação Custo Político.