PF abre Operação Mais Valia contra desembargadores do TRT do Rio e advogados ligados a Witzel

PF abre Operação Mais Valia contra desembargadores do TRT do Rio e advogados ligados a Witzel

Equipes cumprem 11 mandados de prisão e outros 26 de busca e apreensão expedidos a pedido da Procuradoria-Geral da República na esteira das investigações que levaram ao afastamento de Wilson Witzel do governo fluminense; magistrados podem ter recebido propinas para beneficiar o grupo político

Rayssa Motta e Fausto Macedo

02 de março de 2021 | 07h45

O Tribunal Regional do Trabalho no Rio. Foto: Reprodução/Facebook

A Polícia Federal abriu nesta terça-feira, 2, a Operação Mais Valia contra desembargadores do Tribunal Regional de Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) e advogados ligados ao governador afastado Wilson Witzel (PSC).

Os agentes cumprem 11 mandados de prisão preventiva e outros 26 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, incluindo na sede do tribunal. As ordens foram expedidas a pedido da Procuradoria-Geral da República pela ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A ação foi aberta na esteira das investigações que levaram ao afastamento de Witzel do governo fluminense em agosto do ano passado. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a etapa apura possível pagamento de vantagens indevidas a magistrados que, em contrapartida, teriam beneficiado o grupo político do governador afastado.

“As medidas cautelares, cumpridas no Rio de Janeiro, decorreram de vasto acervo de provas apontando para a prática de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”, informou o MPF.

No mês passado, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça decidiu aceitar a primeira das três denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal contra Wilson Witzel. Com o resultado do julgamento, o ex-juiz foi colocado no banco dos réus por corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na esteira da Operação Tris in Idem. Outras frentes de investigação envolvendo o grupo político do governador afastado seguem em curso.

Desembargadores citados por delator

Os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, no Rio de Janeiro, entraram na mira da Procuradoria Geral da República com a delação do ex-secretário de Saúde Edmar Santos.

Na primeira denúncia contra Witzel, a Procuradoria-Geral da República transcreveu acusações contra um dos magistrados, Marcos Pinto da Cruz, acusado pelo delator de propor um esquema de propinas envolvendo decisões judiciais a favor de organizações sociais da área da Saúde com dívidas trabalhistas e valores a receber do Estado a títulos de ‘restos a pagar’. O desembargador foi afastado das funções administrativas em setembro do ano passado.

O ex-presidente do TRT, desembargador Fernando Antonio Zorzenon da Silva, também foi citado pela PGR por ter emitido ato favorável a uma empresa ligada a Mário Peixoto, preso da Operação Lava Jato. Quando foi mencionado na denúncia, o magistrado disse, por meio de nota, que sua carreira de quase 40 anos foi pautada na ‘mais absoluta retidão, não havendo um único ato sequer tomado fora dos estritos limites legais’.

Ambos foram alvos de mandados de prisão. Os colegas desembargadores Antônio Carlos de Azevedo Rodrigues e José da Fonseca Martins Junior também foram presos. Além deles, a PF cumpriu outros sete mandados contra supostos operadores.

COM A PALAVRA, O TRT
“Diante do seu compromisso com a legalidade, a presidência do TRT/RJ informa que está à disposição das autoridades no que for necessário para auxiliar nas investigações que levem ao total esclarecimento dos fatos. E que, desde a manhã desta terça-feira (2/3), está colaborando, com sua Polícia Judiciária, no atendimento dos agentes da Polícia Federal que estão no prédio-sede cumprindo cinco mandados de busca e apreensão.”

COM A PALAVRA, OS CITADOS

A reportagem entrou em contato com os gabinetes dos desembargadores. Os assessores de Antônio Carlos de Azevedo Rodrigues e Fernando Antonio Zorzenon Da Silva informaram que não havia manifestação sobre a denúncia. Os demais não retornaram. O espaço está aberto (rayssa.motta@estadao.com).