Leia todo o inquérito Chorume

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Documentos apreendidos pela Polícia Federal e a delação de Gabriel e Luiz Carlos Claro jogam luz sobre suposto esquema de escritório de advocacia, empresas da limpeza urbana e rede de doleiros para lavar dinheiro, sonegar impostos e formar caixa 2 para políticos e servidores públicos

Pedro Prata e Pepita Ortega

09 de fevereiro de 2020 | 06h08

Reprodução de trecho de relatório de apreensões

A Polícia Federal apreendeu documentos que ajudam  a descortinar as ações de uma rede formada pelo escritório Claro Advogados, doleiros e empresários ligados ao Consórcio Soma, da limpeza urbana de São Paulo. Gabriel e Luiz Carlos Claro, pai e filho, delataram o esquema e possibilitaram aos investigadores chegar a alguns de seus principais atores.

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A Operação Chorume, 7.ª fase da Operação Descarte, foi deflagrada na terça, 4. Agentes cumpriram 21 mandados de busca em São Paulo, Barueri, Santana de Parnaíba, Francisco Morato, Santos, São José do Rio Preto e também em Itajaí (SC), Brasília e Cidade Ocidental (GO).

Trecho de relatório da Operação Chorume

Segundo balanço da Polícia Federal foram apreendidos R$ 77 mil e US$ 10 mil.

A investigação diz que o consórcio fazia aquisições falsas de mercadorias e chegou a simular a compra de R$ 14,27 milhões em sacos de lixo, entre 2014 e 2016.

Em delação premiada, pai e filho Claro afirmaram que o dinheiro gerado deveria ser usado como pagamento de caixa 2 a políticos, funcionários públicos e partidos políticos, em razão das licitações vencidas e dos contratos firmado pelo grupo Estre Ambiental junto a órgãos públicos.

A PF chegou a pedir a prisão de sete investigados, mas a juíza federal Silvia Maria Rocha, da 2.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, negou.

Trecho de relatório da Operação Chorume

“Consigno que este juízo repudia a utilização do instituto da prisão como forma de constranger o investigado a colaborar, em prol dos princípios constitucionais da inocência e da não autoincriminação. E, por tal motivo, a liberdade é a regra, constituindo-se a prisão uma exceção”, sustentou Silvia.

As investigações também permitiram identificar uma tentativa do clã Claro de atrapalhar investigações da Receita Federal do Brasil sobre o grupo criminoso.

Os delatores Gabriel e Luiz Carlos contaram que se reuniram com Alfredo Almeida Barros, o ‘Shadow’, que exigiu R$ 5 milhões para ‘atuar quando os procedimentos de fiscalização chegassem a Brasília, com vistas a evitar o mal maior que seria a comunicação para o Ministério Público’.

Trecho do inquérito Chorume, que anexa relatórios do Coaf

A PF investiga três núcleos: os operadores, os doleiros e os clientes.

Segundo a corporação, os operadores controlavam direta e indiretamente ao menos 24 empresas que eram responsáveis pelo fornecimento de notas fiscais inidôneas. No organograma da Receita, o grupo é identificado como ‘fornecedores fantasmas’. Além disso, controlavam os doleiros que abasteciam a organização criminosa com dinheiro em espécie.

Os três doleiros identificados pela operação utilizaram pelo menos 20 empresas para gerar dinheiro em espécie para o esquema.

Segundo a PF, tais companhias movimentaram de 2010 a 2018, mais de R$ 5 bilhões, tendo um pico de movimentação em 2014, com redução ‘drástica’ a partir de então.

Trecho de relatório da Operação Chorume

“Pode-se dizer que sem os ‘doleiros’ o serviço prestado pelo grupo Claro inexistiria”, avalia a juíza Silvia Maria Rocha, da 2.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que decretou a Operação Chorume.

Já os clientes eram as empresas beneficiadas pelas fraudes, sendo a Soma a principal delas, segundo a Polícia Federal.

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