Lava Jato põe Beto Richa no banco dos réus por propina de R$ 2,7 mi no pedágio

Lava Jato põe Beto Richa no banco dos réus por propina de R$ 2,7 mi no pedágio

Justiça Federal recebeu denúncia da Procuradoria contra ex-governador do Paraná que havia sido preso no dia 25 de janeiro pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em concessão de rodovias federais; Richa foi solto no dia 31

Julia Affonso e Marina Dayrell

11 Fevereiro 2019 | 09h50

Foto: Ricardo Almeida/ANPr

Atualizada às 12h21

A Justiça Federal aceitou na última sexta-feira, 8, a denúncia contra o ex-governador do Paraná Beto Richa, feita pela força-tarefa da Lava Jato na Operação Integração, e o tornou réu na ação que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias federais que fazem parte do Anel da Integração, no Estado. Além de Richa, outros nove investigados do núcleo político viraram réus pelos mesmos crimes.

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O juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal, também aceitou na sexta-feira a acusação da Lava Jato contra 23 executivos do núcleo empresarial. Na lista de denunciados está o ex-presidentes das concessionárias Econorte, Viapar, Ecocataratas, Caminhos do Paraná, Rodonorte e Ecovia pelos crimes de corrupção ativa, pertencimento à organização criminosa e lavagem de dinheiro. O empresário João Chiminazzo Neto foi denunciado como principal operador financeiro do esquema criminoso.

Na acusação contra o núcleo político, os procuradores afirmam que Beto Richa recebeu pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas pagas em espécie por concessionárias de pedágio no Paraná e outras empresas que mantinham negociações com o governo.

Segundo a Procuradoria, dos R$ 2,7 milhões, R$ 142 mil foram lavados por meio de depósitos feitos para a Ocaporã Administradora de Bens. Embora esteja no nome da mulher e dos filhos de Richa, a empresa, conforme investigações, era controlada pelo tucano. Já a maior parte dos recursos, cerca de R$ 2,6 milhões, teriam sido lavados por Richa por meio da compra de imóveis – em nome da Ocaporã – com a ajuda do contador.

Em decisão, o juiz federal Paulo Sergio Ribeiro afirmou que “o MPF apresentou vasto conjunto de provas sobre a existência de fatos criminosos envolvendo a execução de contratos de concessão de rodovias federais no Estado do Paraná (denominado “Anel de Integração do Paraná”), bem como indícios suficientes da participação de cada um dos investigados no esquema criminoso”.

O tucano havia sido preso no dia 25 de janeiro, pela segunda vez. No entanto, foi solto na quinta-feira, 31, por decisão do ministro do STJ, João Otávio de Noronha. A força-tarefa da Lava Jato chegou a apontar ‘sérias dúvidas’ sobre a parcialidade do magistrado.

RÉU

Beto Richa também já havia sido preso na Operação Radiopatrulha, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, em setembro do ano passado, quando era candidato ao Senado. O tucano foi solto após quatro dias por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Richa é réu na Radiopatrulha, que apura irregularidades no Programa Patrulha do Campo, de manutenção de estradas rurais. Segundo o inquérito, há indícios de direcionamento de licitação e pagamento de propina a agentes públicos, além de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS

A reportagem está tentando contato com a defesa dos réus. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO WALTER BITTAR, QUE DEFENDE BETO RICHA

“A defesa irá se manifestar nos autos, mas declara que a acusação não tem consistência, pois os problemas do pedágio são anteriores ao governo do réu. A decisão causa muita estranheza à defesa, uma vez que entre as datas da denúncia – 1999 a 2008 – ninguém tenha sido acusado”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALESSANDRO SILVERIO, QUE DEFENDE DEONILSON ROLDO

O advogado Alessandro Silverio, que defende Deonilson Roldo, informou que vai se manifestar nos autos do processo.

 

 

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