Executivo da Odebrecht diz que dono da UTC pediu dinheiro para PMDB

Executivo da Odebrecht diz que dono da UTC pediu dinheiro para PMDB

Fábio Gandolfo, alvo de investigação sobre propinas na Eletronuclear, contou à PF que empreiteiro Ricardo Pessoa, em reunião com gigantes da construção, solicitou contribuição para campanhas do partido da base do governo

Redação

29 de julho de 2015 | 16h46

Obras de usina Angra 3, alvo da Lava Jato/ Foto: Fabio Motta/AE

Obras de usina Angra 3, alvo da Lava Jato/ Foto: Fabio Motta/AE

Por Valmar Hupsel Filho e Julia Affonso

O engenheiro Fábio Andreani Gandolfo, diretor superintendente da Odebrecht, confirmou à Polícia Federal nesta terça-feira, 28, que o empresário Ricardo Pessoa, dono a UTC Engenharia, solicitou às empresas que fazem parte do consórcio Angramon, vencedor da licitação para a construção da Unsina Nuclear de Angra 3, contribuição para a o financiamento de campanha para o PMDB. O Consórcio Angramon é formado pelas empresas Camargo Correa, UTC Engenharia, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Techin e EBE.

Gandolfo afirma em seu depoimento que argumentou na reunião que sua função na empresa se restringia à parte técnica, e que não fazia parte de sua atribuição “lidar com políticos ou qualquer partido”. Segundo Gandolfo, sua posição contra a proposta de Pessoa foi mantida pela Odebrecht.

 

Ricardo Pessoa é apontado como líder do grupo de empresas acusadas formação de cartel para fraudar licitações junto à Petrobrás e Eletronuclear. Segundo Gandolfo, o pedido para que as empresas fizessem doações ao PMDB foi feito durante reunião em agosto de 2014. “Também fora solicitado por Ricardo Ribeiro Pessoa que as empresas fizessem contribuição para o financiamento da campanha eleitoral do PMDB”, afirmou em depoimento o engenheiro. Segundo ele, a Odebrecht foi contra a proposta.

 

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O pedido de Pessoa para que empreiteiras fizessem doações ao PMDB já havia sido citado em delação premiada pelo empreiteiro Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações. No início de 2015, Avancini, revelou a existência de cartel nas contratações e pagamentos relativos às obras da usina Angra 3.

 

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Foi a partir do depoimento dele que a força-tarefa da Lava Jato abriu uma nova frente de investigação, desta vez no setor elétrico. Gandolfo foi um dos conduzidos coercitivamente pela Polícia Federal nesta terça-feira, 28, durante a 16ª fase da Operação Lava Jato.

Nesta fase, a força tarefa investiga o pagamento de propinas a agentes públicos ligados à Eletronuclear por empreiteiras já investigadas pelas mesma irregularidades em contratos com a Petrobrás. Na operação desta terça, diua pessoas foram presas temporariamente: o presidente da Eletronuclear, almirante reformado Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o presidente da Andrade Gutierrez Energia, Flávio Barra.

COM A PALAVRA, O PMDB:

“PMDB nega todas as acusações e jamais autorizou qualquer pessoa a se apresentar como intermediária do partido”.

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