‘Eu não sei se vou querer, se ele vai me oferecer’, diz Moro sobre vaga no Supremo

‘Eu não sei se vou querer, se ele vai me oferecer’, diz Moro sobre vaga no Supremo

Em audiência no Senado, ministro da Justiça nega que tenha combinado com o presidente Bolsonaro uma indicação para a Corte máxima; 'essa história é uma fantasia'

Julia Affonso, Pepita Ortega e Fausto Macedo

19 de junho de 2019 | 15h41

Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) afirmou nesta quarta-feira, 19, em audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que ‘essa história de vaga no Supremo é uma fantasia’. Ele aproveitou o caminho aberto pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ), filho do presidente, que rechaçou versões de parlamentares opositores sobre um eventual acordo para Moro assumir uma cadeira na Corte máxima.

O ex-juiz da Operação Lava Jato negou que tenha combinado com Jair Bolsonaro uma indicação para o Supremo. Os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello vão completar, respectivamente, 75 anos em novembro de 2020 e julho de 2021 e devem se aposentar compulsoriamente.

As duas vagas deverão ser preenchidas por escolha de Bolsonaro, que já informou que pretende nomear Moro para uma delas.

“Essa história de vaga no Supremo é uma fantasia, nunca me prometeu nada neste sentido e nunca estabeleci esta condição”, respondeu o ministro a Flávio.

“Ele fez uma declaração tempos atrás, é que ele se sentiu, se sente ou se sentiu, não sei se sente ainda, que teria uma espécie de compromisso ou coisa parecida, mas essa é uma questão que não existe vaga. Isso tem que ser discutido lá na frente. Eu não sei se vou querer, se ele vai me oferecer, enfim, não há uma questão posta agora no radar.”

Moro começou a depor às 9 horas da manhã desta quarta. Ele foi ao Senado falar sobre mensagens do aplicativo Telegram – nas quais, o ministro e procuradores da Lava Jato teriam ajustado passos da operação. As conversas foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil e são relativas à época em que o atual ministro era juiz federal em Curitiba, o juiz da Lava Jato.

“Eu não me recordo de mensagens que eu encaminhei o mês passado para todo mundo. Se eu vir algumas delas, pode ser que eu reconheça algumas. Agora, mensagens que eu enviei 3, 2 anos atrás sem que haja qualquer excepcionalidade, qualquer conteúdo ilegal, qualquer conteúdo ilícito, que podem ter sido pontualmente adulteradas, eu não tenho como reconhecer. Se eu tivesse as mensagens no meu aparelho celular, poderia eventualmente fazer um comparativo”, disse Moro.

O ministro também rebateu ‘especulações’ de que ‘teria sido convidado lá atrás pelo presidente Jair Bolsonaro’ para ser ministro.

“Eu não conhecia o presidente Jair Bolsonaro. Eu encontrei casualmente no aeroporto, eu não o reconheci na ocasião e fiquei um pouco assustado, porque ele é um pouco voluntarioso. Chegou batendo continência. Cumprimentei-o rapidamente. Depois ele foi criticado por alguns veículos, no sentido de que eu o teria esnobado. Fiquei chateado com este tipo de exploração, porque não tinha sido minha intenção. Liguei para ele naquela ocasião, acho que duas semanas depois do fato, e pedi escusas pela exploração”, declarou.

“Vim a falar com ele novamente depois das eleições. E depois daquela ocasião, em 1.º de novembro, salvo engano, na residência dele.”

Naquele dia, Moro foi convidado por Bolsonaro e aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça do futuro governo. Ele abandonou a toga que vestia havia 22 anos.

“Eu estava presente quando (Moro e o então recém-eleito presidente) se conheceram na Barra da Tijuca”, relatou Flávio sobre o encontro na casa do presidente.

Segundo Flávio, o ministro ‘nem teve a oportunidade de provar a iguaria mais famosa do Brasil no momento, pão com leite condensado (gosto do pai)’.

“Nada foi tratado sobre Supremo, não há nenhum compromisso ou algo acordado.”

Sobre o ataque de hackers anunciado por Moro, o senador avalia que o País está diante de ‘uma denúncia bastante grave, caso se confirme esse grande conluio para desestabilizar a nossa democracia, um chefe de Estado democraticamente eleito’.

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