Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro: na 1ª vaga que tiver no STF, espero cumprir compromisso com Moro de indicá-lo

Presidente afirmou também esperar que o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública seja aprovado, mas que não é 'dono da pauta' do Legislativo

Thaís Barcellos e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2019 | 13h07

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo, 12, que, na primeira vaga que abrir no Supremo Tribunal Federal (STF), espera cumprir o compromisso de indicar o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. "Se Deus quiser, cumpriremos esse compromisso", disse, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

"Uma pessoa da qualificação do Moro se realizaria dentro do STF", afirmou. Bolsonaro disse acreditar que Moro seria um "grande aliado da sociedade brasileira dentro do STF".

Anticrime

Sobre o pacote anticrime apresentado ao Congresso pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Bolsonaro afirmou esperar que seja aprovado, mas ponderou que não é "dono da pauta" do Legislativo. "Maia (Rodrigo Maia) é dono da pauta na Câmara e Alcolumbre (Davi Alcolumbre) é dono da pauta no Senado", argumentou. "Não posso exigir, interferir, a bola (agora) está com o Rodrigo Maia."

Ele declarou ainda que o PT pode não querer julgar o projeto anticrime de Moro, que, de acordo com ele, pode "retardar" a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão.

Durante a entrevista deste domingo, Bolsonaro ainda falou sobre as negociações com o Congresso, a influência nas decisões da Petrobrás e a reforma da Previdência. Confira a seguir:

Negociações com o Congresso

O presidente Jair Bolsonaro afirmou também que gostaria que a "grande mídia" dissesse a ele como formar uma base parlamentar no Congresso. De acordo com ele, até o governo passado, grandes partidos se reuniam com o presidente, que distribuía cargos na administração federal e na presidência de bancos e estatais.

"A base era feita dessa maneira, o ingrediente era esse, mas não falam na mídia", afirmou. Bolsonaro disse que a política do "toma lá dá cá" não deu certo. "Tem ex-presidente preso, ex-presidente da Câmara preso...", lembrou. Bolsonaro disse, no entanto, que o atual ministério tem as "portas abertas" para todos os parlamentares. Mas, para o presidente, parlamentar não tem que votar com o governo porque foi "atendido em alguma coisa".

Confiança no vice-presidente

Na entrevista, Bolsonaro disse também acreditar que o vice-presidente Hamilton Mourão não tem a "pretensão de minar" o governo. "Mas outros fazem isso para ganhar algo à frente", disse. "Aqueles que não pensam em progredir têm que comprar um lote no cemitério, mas não acredito nisso (em minar o governo) por parte do vice."

Influência nas decisões da Petrobrás

Ainda durante a entrevista para a Rádio Bandeirantes, Bolsonaro reafirmou que não há ingerência na Petrobras e que a empresa possui uma política própria de preços "para não quebrar", falou. "Eles têm um mecanismo de reajustar o combustível que leva em conta a variação do dólar e o preço fora do País", concluiu.

Recentemente, no entanto, o presidente interferiu na decisão da empresa de reajustar o preço do diesel ao pedir explicações ao presidente da companhia e, dessa maneira, retardar a decisão anteriormente tomada. A postura de Bolsonaro desagradou aos investidores e o valor da empresa, negociada em bolsa, foi negativamente afetado.

"Se nós agirmos com racionalidade e pensarmos no Brasil temos como buscar soluções para os nossos problemas. Quando você entra para cruzar o Atlântico, se não se preparar para a tormenta, pode ser surpreendido", declarou.

Reforma da previdência

O presidente também acredita que com uma boa reforma da Previdência o governo terá "folga de caixa para atender a população". De acordo com ele, a reforma é como uma vacina: "Tem que dar a vacina no moleque, e a nova vacina no momento é a Nova Previdência". O presidente complementou afirmando que "não é fácil governar o Brasil e que, por isso, tem que ter equipe de ministros que converse contigo; são 24 pessoas (incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão) para buscar soluções para o Brasil".

Bolsonaro também respondeu a declaração do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho, feita no Dia do Trabalho, 1.º, que defendeu que o 'Centrão' deveria "desidratar" a reforma da Previdência para evitar a reeleição dele. "Já que Paulinho falou isso, ele não está pensando no Brasil", disse.

Postura dos sindicatos

Aliás, a respeito dos sindicatos, Bolsonaro se posicionou contrário ao desconto automático do imposto sindical no contracheque do trabalhador. De acordo com o presidente, os sindicatos são a "coisa que mais atrapalha o Brasil, pois a maioria legisla em causa própria". Bolsonaro afirmou que pode haver o imposto sindical se o trabalhador optar pelo pagamento via boleto bancário, mas não com um desconto automático no contracheque.

Defesa do porte de arma

O presidente, ainda na entrevista, ao defender o decreto de porte de armas assinado na última semana, voltou a dizer que está apenas atendendo a vontade popular e respeitando o direito legítimo de defesa pessoal do cidadão. "Eu, por exemplo, como homem, tenho que defender a minha mulher. Sei que se um homem entrar na minha casa é para barbarizar, então, é para meter chumbo mesmo", defendeu em participação no programa Domingo Esportivo, da Rádio Bandeirantes. "Se alguém entrar na sua casa, tem que descarregar nele", aconselhou.

No decreto assinado na última terça-feira (7), o governo facilitou o porte de armas de fogo para caçadores, atiradores esportivos, colecionadores e praças das Forças Armadas, mas também para caminhoneiros, políticos, advogados, residentes de área rural, profissionais da imprensa que atuem na cobertura policial, conselheiro tutelar e profissionais do sistema socioeducativo.

Preocupação com o turismo

O presidente ainda classificou o turismo brasileiro como vexatório. "O turismo nosso é vexatório, tendo em visto que somos os primeiros do mundo em belezas naturais", disse, questionado sobre o número de turistas que visitam o País por ano.

Bolsonaro creditou o baixo volume de turistas no Brasil à violência e a problemas de legislação ambiental. Em relação à questão da segurança, disse que muito pode melhorar com o projeto anticrime do ministro da Justiça Sérgio Moro, mas que a tramitação está demorada no Congresso. Já sobre a questão ambiental, voltou a comparar a baía de Angra dos Reis (RJ) a Cancún, no México, e disse que não se pode desenvolver o turismo na região porque "xiitas ambientalistas" a colocaram como estação ecológica.

O presidente afirmou que, se depender só dele, pode editar um decreto para revogar essa estação ecológica, mas que depois a medida teria que passar pelo Congresso para confirmação.

"A questão da violência pode ser resolvida com medidas mais rígidas, como as propostas no pacote anticrime. Muita coisa tem que ser feita e passa pelo Congresso", resumiu.

Em relação à situação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que é acusado de integrar um esquema de laranjas em Minas Gerais, disse que, se houver algo mais "robusto" contra ele, tomará as devidas providências, mas que não pode agir só com acusações, porque, senão, teria que demitir todos. Bolsonaro elogiou o trabalho do ministro. O presidente lembrou que Álvaro Antônio sugeriu o fim da reciprocidade em pedidos de visto de países como Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e de outros países ricos entrem no Brasil sem visto.

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