‘Estou me sentindo bem’, diz Celso de Mello, após sete horas de cirurgia

‘Estou me sentindo bem’, diz Celso de Mello, após sete horas de cirurgia

Ministro informou ao Estadão que tudo correu bem durante o procedimento e espera ter alta neste fim de semana

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA e Paulo Roberto Netto/SÃO PAULO

20 de agosto de 2020 | 18h42

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, informou ao Estadão nesta quinta, 20, que a cirurgia a qual foi submetido correu bem. O decano afirmou ainda esperar ter alta já neste fim de semana.

“Acabou a cirurgia! Entrei às 09h30 e saí às 16h30! Tudo correu muito bem, segundo o cirurgião e sua equipe! Devo ter alta neste sábado! No máximo, domingo! Estou me sentindo bem! Sobrevivi!!”, escreveu o ministro.

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O decano saiu de licença médica nesta quarta, 19, para a realização de um ‘pequeno procedimento cirúrgico’,  segundo informou a assessoria do Supremo. Celso é o relator do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal, conforme acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. O Supremo não informou a duração do período de licença do decano.

Na Corte, na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal, é aguardada com expectativa a decisão de Celso de Mello sobre o depoimento de Bolsonaro na investigação sobre a suposta interferência do chefe do Executivo na PF. Em julho, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo que o presidente possa escolher a forma como prefere depor no inquérito.

Em decisão recente, Celso de Mello já disse que autoridades investigadas não têm direito a depoimento por escrito, mas o ministro ainda não decidiu sobre o caso. Celso também costuma ser o “fiel da balança” em julgamentos da Lava Jato que ocorrem na Segunda Turma do STF, tendo papel decisivo para a definição do placar.

O ministro foi homenageado pelo presidente do STF, Dias Toffoli, na sessão dessa quarta, 19. “Celso de Mello é também firme defensor da independência judicial, do Poder Judiciário e do Supremo Tribunal Federal. Temos assistido, no Brasil e no mundo, a manifestações crescentes de intolerância e de ódio coletivo à instituição judicial, as quais correspondem a ataques à própria democracia e às suas salvaguardas”, disse Toffoli, ao elogiar o decano, que completou 31 anos de atuação no tribunal.

Cirurgia. Celso se afastou das atividades na Corte em janeiro deste ano por conta de uma cirurgia médica no quadril e acabou depois internado em razão de um quadro infeccioso. No final de março, o decano se submeteu a teste para o novo coronavírus após ter contato com o infectologista David Uip, durante internação em São Paulo. O médico foi diagnosticado com covid-19 dias depois do encontro com o ministro.

Segundo o Estadão apurou, o resultado do exame de Celso de Mello levou dez dias para ficar pronto e foi negativo. Em abril, o ministro retornou aos trabalhos no STF.

O decano se aposenta compulsoriamente em novembro, abrindo a primeira vaga na Corte para indicação de Bolsonaro.

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