Relator de inquérito sobre Bolsonaro, Celso de Mello tira licença médica

Relator de inquérito sobre Bolsonaro, Celso de Mello tira licença médica

Segundo o Estadão apurou, o ministro deve aproveitar o período de licença médica para fazer novos exames

Rafael Moraes Moura

19 de agosto de 2020 | 13h18

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, tirou nesta quarta-feira (19) uma nova licença médica para realizar ‘um pequeno procedimento cirúrgico’, informou a assessoria da Corte. Celso é o relator do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal, conforme acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro.

“O Ministro Celso de Mello necessitou pedir licença médica, a quarta licença em 52 anos de serviço público, para realizar um pequeno procedimento cirúrgico”, afirmou a assessoria do Supremo.

O STF ainda não esclareceu o período previsto para a licença do decano.

Na Corte, na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal, é aguardada com expectativa a decisão de Celso de Mello sobre o depoimento de Bolsonaro na investigação sobre a suposta interferência na PF. Em julho, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo que Bolsonaro possa escolher a forma como prefere depor no inquérito.

Em decisão recente, Celso de Mello já disse que autoridades investigadas não têm direito a depoimento por escrito, mas o ministro ainda não decidiu sobre o caso. Celso também costuma ser o “fiel da balança” em julgamentos da Lava Jato que ocorrem na Segunda Turma do STF, tendo papel decisivo para a definição do placar.

Na sessão desta quarta-feira, o ministro foi homenageado pelo presidente do STF, Dias Toffoli. “Celso de Mello é também firme defensor da independência judicial, do Poder Judiciário e do Supremo Tribunal Federal. Temos assistido, no Brasil e no mundo, a manifestações crescentes de intolerância e de ódio coletivo à instituição judicial, as quais correspondem a ataques à própria democracia e às suas salvaguardas”, disse Toffoli, ao elogiar o decano, que completou 31 anos de atuação no tribunal.

Cirurgia. Celso se afastou das atividades na Corte em janeiro deste ano por conta de uma cirurgia médica no quadril e acabou depois internado em razão de um quadro infeccioso. No final de março, o decano se submeteu a teste para o novo coronavírus após ter contato com o infectologista David Uip, durante internação em São Paulo. O médico foi diagnosticado com covid-19 dias depois do encontro com o ministro.

Segundo o Estadão apurou, o resultado do exame de Celso de Mello levou dez dias para ficar pronto e foi negativo. Em abril, o ministro retornou aos trabalhos no STF.

O decano se aposenta compulsoriamente em novembro, abrindo a primeira vaga na Corte para indicação de Bolsonaro.

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