Delegado que perdeu comando da PF no Amazonas após atribuir crimes a Ricardo Salles ganha apoio de colegas por ‘coragem, atitude’

Delegado que perdeu comando da PF no Amazonas após atribuir crimes a Ricardo Salles ganha apoio de colegas por ‘coragem, atitude’

Em seu perfil no Twitter, delegado publicou uma foto da placa que recebeu do efetivo da PF no Amazonas e afirmou: 'Honra maior não existe'

Redação

25 de abril de 2021 | 14h21

O delegado Alexandre Saraiva. Foto: Wérica Lima/ Inpa

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, ex-superintendente da corporação no Amazonas que foi substituído após enviar ao Supremo Tribunal Federal notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, recebeu apoio de seus pares por sua ‘dedicação e excelência’ à frente da unidade.

O delegado publicou neste sábado, 24, em seu perfil no Twitter uma foto da placa que recebeu do efetivo da PF no Amazonas e afirmou: “Honra maior não existe”.

“Demonstrou coragem, atitude e profissionalismo, desde os trabalhos mais simples às mais complexas operações, sendo reconhecido por seu brilhante trabalho em defesa da Amazônia e da Polícia Federal, colocando esta Superintendência em destaque nacional e internacional”, registrou a homenagem.

Saraiva foi substituído no comando da PF no Amazonas pelo delegado Leandro Almada, que já atuou como seu número 2 e foi responsável pelo grupo de investigações ambientais sensíveis na superintendência.

A troca no comando da unidade foi confirmada um dia após Saraiva enviar ao STF notícia-crime contra Salles por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. A justificativa era de que o delegado já havia sido sondado sobre a mudança.

Ministro Ricardo Salles. FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS

Ao Estadão, o delegado afirmou que recebeu a ligação de um ‘amigo’ sobre uma adidância. Saraiva diz que ‘não foi comunicado antes’ sobre sua saída do comando: “Só tem duas formas de me comunicar oficialmente – ou meu chefe me liga, pelo principio da hierarquia, que é o diretor-geral, ou publicação no Diário Oficial”.

Saraiva passou quatro anos na chefia da PF da Amazonas. Em 2019, o delegado foi o pivô da primeira crise entre o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, em 2019.

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