Coronel deputado abandonou grupos de WhatsApp um dia antes de ser preso no Rio

Coronel deputado abandonou grupos de WhatsApp um dia antes de ser preso no Rio

Parlamentar Coronel Jairo (MDB), alvo da Operação Furna da Onça, é suspeito de receber ‘mensalinho’ de R$ 50 mil, além de ajuda financeira para campanha

Julia Affonso

15 Novembro 2018 | 09h30

Foto: Barry Huang/Reuters

A Operação Furna da Onça aponta que o deputado estadual Coronel Jairo (MDB), preso desde o dia 8, e sua filha deixaram grupos de WhatsApp um dia antes do cumprimento dos mandados expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), incluindo a prisão do próprio parlamentar. Os investigadores afirmam que durante a busca e apreensão na casa do deputado, a Polícia Federal encontrou ‘apenas um único computador com todos os arquivos e histórico de navegação apagados’.

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A Furna da Onça mira um esquema de corrupçãolavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual que teria movimentado R$ 54,5 milhões. Os parlamentares investigados votariam de acordo com os interesses do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), na Alerj, e, em troca, receberiam “mensalinhos”, que podiam chegar a R$ 900 mil, e o direito de nomear apadrinhados para cargos em órgãos como o Detran-RJ e a Fundação da Infância e a Adolescência (FIA), e em empresas terceirizadas.

Coronel Jairo e outros deputados tiveram a custódia temporária convertida em preventiva pelo desembargador Abel Gomes na segunda-feira, 12. O Ministério Público Federal da 2.ª Região afirma que o Coronel Jairo ‘recebia o montante mensal de R$ 50 mil, além de ajuda financeira para campanha eleitoral’.

Ao converter a prisão do deputado, o desembargador Abel Gomes afirmou que ‘a Operação Furna da Onça de fato teve vazamento benéfico evidente
em relação a alguns dos acusados, o que não pode passar despercebido’.

“Num contexto em que, a princípio se imputa aos parlamentares estaduais uma interferência em uma série de órgãos públicos, colhendo-se de uma das planilhas que serviu de base ao prosseguimento das investigações que, até mesmo nas polícias, há interferência na indicação de cargos, e sendo o investigado do qual se trata, oriundo da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, é perfeitamente plausível crer, diante das circunstâncias em que deixou sua casa na madrugada anterior à execução dos mandados e apagou dados de suas mídias, que foi um dos beneficiários de algum esquema de “informação ilícita”, a respeito das ações policiais que eventualmente pudessem incidir sobre ele”, afirmou o magistrado.

O Ministério Público Federal apontou, ainda, com base em relatórios da Receita, que o Coronel Jairo ‘apresentou movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados em período convergente com os fatos sob apuração, além de inconsistências em suas declarações de renda e bens’.

A investigação destacou ainda ‘expressivas doações em dinheiro efetuadas aos seus filhos entre 2008 e 2016’.

Abel Gomes relatou que os servidores do gabinete do deputado ‘apresentaram movimentação financeira suspeita, que superava R$ 10 milhões’.

“Além de haver indicativos fortes de que o deputado estadual Coronel Jairo atua e mantém algum sistema capaz de dificultar a reunião de provas em face da sua pessoa, e no que diz respeito a movimentação de valores a descoberto, indicativo de proveniência ilícita de fonte e sua eventual dissimulação, também prossegue sugerindo fortemente reiteração criminosa”, anotou o desembargador.

COM A PALAVRA, CORONEL JAIRO

A reportagem está tentando contato com a defesa do deputado Coronel Jairo. O espaço está aberto para manifestação.