Deputados presos pela Furna de Onça têm preventiva decretada

Deputados presos pela Furna de Onça têm preventiva decretada

Parlamentares são suspeitos de participar de um esquema de propinas, que envolveria ainda o Detran-RJ, em conluio com o ex-governador Sergio Cabral (MDB)

Roberta Pennafort/RIO

13 Novembro 2018 | 10h56

Alerj. Foto: Fabio Motta/Estadão

Dez pessoas presas na Operação Furna da Onça, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, na quinta-feira, 8, tiveram a prisão temporária convertida em preventiva. A decisão, divulgada nesta terça-feira, 13, foi do desembargador federal Abel Gomes, relator do processo penal iniciado com a operação, que mirou num esquema de propina envolvendo deputados da Assembleia Legislativa do Rio e o Detran-RJ, em conluio com o ex-governador Sergio Cabral (MDB).

Tiveram a prisão preventiva decretada os deputados Marcos Vinicius Neskau (PTB), Marcos Abrahão (Avante), Coronel Jairo (SD), Chiquinho da Mangueira (PSC), Andre Correa (DEM) e Luiz Martins (PDT), e os acusados Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz (até então secretário de Governo do governador Luiz Fernando Pezão), Leonardo Mendonça Andrade, Daniel Marcos Barbirato de Almeida e José Antonio Wermelinger Machado – esses últimos, assessores parlamentares.

A prisão temporária tem prazo de duração de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco; a preventiva não tem prazo pré-definido e é decretada para proteger o inquérito ou processo e a ordem pública.

O magistrado também determinou as prisões preventivas de Andreia Cardoso do Nascimento e Fabio Cardoso do Nascimento e confirmou a decretação das prisões preventivas dos deputados estaduais Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi, os três do MDB. Eles já estavam presos desde o ano passado (Picciani estava em prisão domiciliar), também acusados de corrupção. Em relação ao deputado Marcelo Simão, Gomes decidiu apenas proibi-lo de frequentar a Alerj e de se ausentar do país, devendo entregar seu passaporte à Justiça.

Ele também ordenou a suspensão do exercício da função pública de Alcione Chaffin Andrade Fabri (chefe de gabinete do deputado Marcos Abrahão) e de Jorge Luis de Oliveira Fernandes (assessor do Coronel Jairo). Ficam proibidos de exercer função pública o atual presidente do Detran-RJ, Leonardo Silva Jacob, e Shirley Aparecida Martins Silva (ex-chefe de gabinete de Edson Albertassi).

Dez deputados foram presos na Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato. O esquema movimentou pelo menos R$ 54,5 milhões em pagamentos de propina, entre os anos de 2011 e 2014, segundo mandato de Cabral, informou a Procuradoria da República no Rio. Os parlamentares envolvidos votavam de acordo com os interesses de Cabral na Alerj e, em troca, recebiam “mensalinhos”, que podiam chegar a R$ 900 mil, e o direito de nomear apadrinhados para cargos em órgãos como o Detran-RJ e a Fundação da Infância e a Adolescência (FIA), e em empresas terceirizadas.

A Furna da Onça (alusão a uma sala da Alerj onde podem ter sido feitas negociatas) mandou para a prisão outras doze pessoas. Os crimes investigados são pertencimento a organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Eram tamanhos o fluxo de dinheiro – transportados até em meias pelos emissários – e o tráfico de influência que o esquema transformou a Alerj numa “propinolândia”, definiu o procurador da República Carlos Aguiar.