Blogueiro detido diz à PF que foi assessor de comunicação do governo Bolsonaro durante transição

Blogueiro detido diz à PF que foi assessor de comunicação do governo Bolsonaro durante transição

Oswaldo Eustáquio não detalhou quem o teria convidado para trabalhar na gestão do governo Bolsonaro, nem quando iniciou seu trabalho com a equipe de transição

André Borges/BRASÍLIA

02 de julho de 2020 | 20h48

Em depoimento à Polícia Federal prestado nesta quinta-feira, 2, o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, disse que “fez parte do governo executivo federal de transição do atual presidente da República até 31 de janeiro de 2019”.

Em suas declarações, Eustáquio afirmou que “atuou na assessoria de comunicação do governo executivo federal de transição”. O blogueiro não detalhou quem o teria convidado para trabalhar na gestão do governo Bolsonaro, nem quando iniciou seu trabalho com a equipe de transição.

Questionado pela PF sobre o assunto, Eustáquio disse que “o convite para atuar no governo de transição foi feito por uma coalizão de pessoas que conheciam o currículo” na área jornalismo, na qual atuou.

Na última terça-feira, 30, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por cinco dias a prisão temporária do blogueiro, que é investigado no inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos. A continuidade da detenção foi um pedido da Polícia Federal, que quer mais tempo para analisar materiais apreendidos sem correr risco de obstrução nas investigações. Na decisão, Moraes diz que a medida é ‘imprescindível’ para que os policiais avancem no inquérito e também para resguardar as diligências.

A reportagem questionou a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto sobre as afirmações de Oswaldo Eustáquio, se o profissional chegou a ser remunerado por serviços prestados e se chegou a despachar no Palácio do Planalto. A secretaria limitou-se a informar apenas que “o Planalto não comentará”.

O blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, preso hoje pela Polícia Federal. Foto: Youtube / Reprodução

Eustáquio foi detido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na última sexta, 26. Segundo apurou o Estadão, investigadores identificaram risco de que ele pudesse fugir do País. O blogueiro teve o sigilo financeiro e bancário quebrado, também por ordem do ministro Alexandre de Moraes, na investigação que apura a hipótese de monetização de vídeos e publicações feitas em suas redes sociais.

A Polícia Federal vê indícios do envolvimento de Eustáquio na promoção de manifestações, tanto em mídias sociais, quanto fisicamente, em movimentos de rua, para ‘impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo, por meios ilegais, a Poderes da República (Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional)’. “Ele se inclui tanto no núcleo produtor de conteúdo, como se relaciona com os operadores de pautas ofensivas ao Estado Democrático de Direito”, sustenta a PF.

O blogueiro mantém um site em que defende medidas e propostas caras ao Planalto, suas publicações são replicadas pelos filhos do presidente nas redes sociais. Em uma de suas lives, um ativista insinuou que o deputado federal Jean Wyllys teria tido contato com o esfaqueador do presidente, Adélio Bispo. Perante a Polícia Federal, o homem não sustentou a versão.

Apesar do desmentido, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) compartilharam uma peça de desinformação derivada da live. Os dois foram condenados pela Justiça a excluírem as publicações em ação movida por Jean Wyllys – Oswaldo também foi alvo da medida.

O blogueiro foi detido no mesmo inquérito que levou à prisão a extremista Sara Giromini, solta após dez dias de prisão provisória. Ambos são investigados por integrar núcleo de suposta organização criminosa que visa obter ganhos econômicos e políticos com a divulgação e coordenação de atos antidemocráticos no País. O inquérito sigiloso está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

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