Alexandre prorroga prisão de blogueiro bolsonarista

Alexandre prorroga prisão de blogueiro bolsonarista

Ministro do Supremo Tribunal Federal, que conduz inquérito sobre atos antidemocráticos, atende pedido da Polícia Federal que prendeu Oswaldo Eustáquio na sexta-feira, 26, em Campo Grande

Rayssa Motta e Fausto Macedo

30 de junho de 2020 | 10h32

O blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, preso pela Polícia Federal. Foto: Youtube / Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por cinco dias a prisão temporária do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, investigado no inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos. A continuidade da detenção foi um pedido da Polícia Federal, que quer mais tempo para analisar materiais apreendidos sem correr risco de obstrução nas investigações.

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Na decisão, Moraes diz que a medida é ‘imprescindível’ para que os policiais avancem no inquérito e também para resguardar as diligências.

“Entendo, portanto, a pertinência da medida, imprescindível para que a autoridade policial avance na análise do material apreendido e na elucidação das infrações penais atribuídas à associação criminosa em toda a sua extensão; bem como analise se há nas informações contidas nos bens e documentos recolhidos elementos que possam ensejar a realização de novas atividades investigativas, além de mitigar as oportunidade de reações indevidas e impedir a articulação com eventuais outros integrantes da associação, que obstruam ou prejudiquem a investigação”, escreveu o ministro.

Eustáquio foi detido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na última sexta, 26. Segundo apurou o Estadão, investigadores identificaram risco de que ele pudesse fugir do País. O blogueiro teve o sigilo financeiro e bancário quebrado, também por ordem do ministro Alexandre de Moraes, na investigação que apura a hipótese de monetização de vídeos e publicações feitas em suas redes sociais.

A Polícia Federal vê indícios do envolvimento de Eustáquio na promoção de manifestações, tanto em mídias sociais, quanto fisicamente, em movimentos de rua, para ‘impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo, por meios ilegais, a Poderes da República (Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional)’. “Ele se inclui tanto no núcleo produtor de conteúdo, como se relaciona com os operadores de pautas ofensivas ao Estado Democrático de Direito”, sustenta a PF.

Atos antidemocráticos. O inquérito que apura atos antidemocráticos foi aberto em abril a pedido da Procuradoria-Geral da República. Foi no âmbito desta investigação que a extremista Sara Giromini e outros cinco integrantes do grupo ‘300 do Brasil’ foram presos provisoriamente. No dia 14, Moraes autorizou a soltura do grupo de apoiadores bolsoristas, mas determinou uma série de restrições de movimentação e comunicação.

Na semana passada, o ministro mencionou trechos de manifestação sigilosa da PGR que apontam a ‘real possibilidade’ de atuação de uma associação criminosa voltada para a ‘desestabilização do regime democrático’ com o objetivo de obter ganhos econômicos e políticos.

A PGR identificou vários núcleos ligados à associação criminosa, sendo eles ‘organizadores e movimentos’, ‘influenciadores digitais e hashtags’, ‘monetização’ e ‘conexão com parlamentares’. Na avaliação da Procuradoria, parlamentares bolsonaristas ajudariam na expressão e formulação de mensagens, além de contribuir com sua propagação, visibilidade e financiamento.

“Os frequentes entrelaçamentos dos membros de cada um dos núcleos descritos acima indiciam a potencial existência de uma rede integralmente estruturada de comunicação virtual voltada tanto à sectarização da política quanto à desestabilização do regime democrático para auferir ganhos econômicos diretos e políticos indiretos”, apontou trecho da manifestação da PGR reproduzida por Moraes. A Procuradoria destacou a existência de ‘abusos e crimes que precisam ser apurados’ no caso.

COM A PALAVRA, O BLOGUEIRO OSWALDO EUSTÁQUIO
A reportagem busca contato com a defesa do blogueiro Oswaldo Eustáquio. O espaço está aberto a manifestações (rayssa.motta@estadao.com)

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