Após STJ confirmar afastamento de Witzel, governador em exercício diz que conduzirá Rio ‘com serenidade’

Após STJ confirmar afastamento de Witzel, governador em exercício diz que conduzirá Rio ‘com serenidade’

Em nota, o vice e atual governador em exercício Cláudio Castro (PSC) desejou 'que Witzel tenha todo direito de defesa plenamente garantido'

Fábio Grellet/RIO

02 de setembro de 2020 | 19h43

Após a decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de confirmar o afastamento do governador do Estado do Rio, Wilson Witzel (PSC), o vice e atual governador em exercício, Cláudio Castro, do mesmo partido, divulgou na noite desta quarta-feira (2) nota em que ‘reafirma o seu compromisso de conduzir o Estado do Rio de Janeiro com serenidade, diálogo e austeridade’.

Ainda segundo a nota, Castro deseja ‘que Witzel tenha todo direito de defesa plenamente garantido’.

O vice de Witzel explicitou aproximação com a família Bolsonaro, adversários políticos do governador afastado, nesta semana após receber telefonema do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A conversa tratou do Regime de Recuperação Fiscal, que precisa ser renovado esta semana para garantir o funcionamento da máquina do Estado.

O Planalto tem interesse em aumentar sua influência no Palácio Guanabara pois até dezembro caberá a Cláudio Castro escolher o novo chefe do Ministério Público fluminense, responsável pelas investigações sobre suposto esquema de ‘rachadinha’ envolvendo Flávio Bolsonaro. Até agora, o MP tem se mostrado alheio a esse tipo de interferência política. O atual chefe da Promotoria, Eduardo Gussem, é tido como um chefe que dá autonomia aos diferentes grupos de promotores.

Cláudio Castro, governador em exercício do Rio Foto: Dida Sampaio/Estadão – 29/5/2019

A Constituição do Rio estabelece que o procurador-geral de Justiça, obrigatoriamente, deve ser escolhido pelo governador a partir de lista tríplice formada por eleição por voto secreto entre os membros do Ministério Público com mais de dois anos de carreira. Tradicionalmente, o nome mais votado tem sido o escolhido.

As conversas entre o governo fluminense e o Planalto haviam cessado desde que Witzel e o presidente Jair Bolsonaro passaram a brigar publicamente, há pouco menos de um ano. O motivo foi a pretensão de Witzel ser candidato a presidente em 2022. Nesta segunda, no Twitter, Castro anunciou a reaproximação.

“Recebi agora há pouco uma ligação do senador Flávio Bolsonaro, que se colocou à disposição para ajudar o Estado na renovação do Regime de Recuperação Fiscal. Diálogo! Todos pelo Rio!”, escreveu.

Na terça, 1º, em entrevista à rede CNN Brasil, Witzel minimizou a aproximação do vice afirmando que ele estaria ‘fazendo o trabalho dele’.

“O vice-governador está fazendo o papel dele. Eu sempre estive à disposição do governo federal, nunca fechei as portas, nunca fechei o diálogo a quem quer que fosse”, afirmou. Witzel também afirmou que não tinha a intenção de disputar a presidência da República contra Bolsonaro em 2022. “Meu objetivo era seguir junto e formarmos uma nova liderança política no País”.

Tudo o que sabemos sobre:

Cláudio CastroWilson José Witzel

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: