Após PGR afirmar que Lava Jato ‘não é órgão autônomo’, Deltan destaca independência do Ministério Público

Após PGR afirmar que Lava Jato ‘não é órgão autônomo’, Deltan destaca independência do Ministério Público

Nota divulgada pela Procuradoria-geral da República disse que força-tarefa 'deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição'; chefe da força-tarefa em Curitiba fala que procuradores tem os mesmos direitos e proteções dos demais colegas

Redação

29 de junho de 2020 | 05h00

O procurador Deltan Dallagnol, líder da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, rebateu a Procuradoria-geral da República e disse que os colegas da operação ‘têm os mesmos direitos, deveres e proteções’ garantidos aos demais membros do Ministério Público Federal. A publicação nas redes sociais foi feita após a PGR assinar nota afirmando que a Lava Jato ‘não é órgão autônomo’.

“Os procuradores que trabalham na Lava Jato têm os mesmos direitos, deveres e proteções dos demais membros do MP para assegurar um trabalho independente”, escreveu Deltan. “Lamento pelos fatos divulgados no fim da semana, que reportamos para a Corregedoria. O assunto agora deve ser analisado pelas instâncias competentes”.

A força-tarefa de Curitiba está em crise com Aras após a visita do braço-direito do PGR, a subprocuradora Lindôra Araújo, ao quartel-general dos procuradores no Paraná. Em ofício encaminhado à Corregedoria-geral, a Lava Jato reclama que a ida da aliada de Aras se tratou de uma ‘diligência’ para obter dados e informações sigilosas da operação sem justificativa razoável.

A PGR nega as acusações e trata a ida de Lindôra como uma visita de trabalho, combinada previamente. Em nota, a Procuradoria afirmou que a Lava Jato ‘não é um órgão autônomo e distinto do Ministério Público Federal (MPF), mas sim uma frente de investigação que deve obedecer a todos os princípios e normas internos da instituição’.

O procurador da República e líder da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. Foto: Gabriela Biló / Estadão

“Fora disso, a atuação passa para a ilegalidade, porque clandestina, torna-se perigoso instrumento de parelhamento, com riscos ao dever de impessoalidade, e, assim, alheia aos controles e fiscalizações inerentes ao Estado de Direito e à República, com seus sistemas de freios e contrapesos”, anotou a PGR.

O mal-estar gerado pela visita de Lindora e a crise interna na PGR levaram à saída de três membros da Lava Jato que atuavam diretamente na Procuradoria. Em nota, a força-tarefa da Lava Jato disse que eram servidores ‘comprometidos com a integridade, a causa pública e o combate à corrupção e enfrentamento da macrocriminalidade’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: