Alexandre quer cópia de inquérito e mensagens hackeadas em 48 horas

Alexandre quer cópia de inquérito e mensagens hackeadas em 48 horas

Segundo o ministro, relator de investigação sobre ataques à Corte, notícias veiculadas apontam indícios de investigação ilícita contra integrantes do STF

Luiz Vassallo e Fausto Macedo/SÃO PAULO e Rafael Moraes Moura, Breno Pires e Patrick Camporez/BRASÍLIA

02 de agosto de 2019 | 00h00

A decisão de Alexandre foi tomada no âmbito do inquérito instaurado pelo STF para investigar ofensas, ameaças e ‘fake news’ disparadas contra integrantes da Corte e seus familiares. Foto: Eraldo Peres/AP Photo

Relator do inquérito das ‘fake news’, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou que a 10ª Vara Federal de Brasília entregue a ele, em até 48 horas, cópias dos autos e do material apreendido na Operação Spoofing, que mira hackeamento de autoridades. Segundo Alexandre, notícias veiculadas apontam indícios de investigação ilícita contra ministros da Corte.

Reprodução da decisão do ministro

“Diante das notícias veiculadas apontando indícios de investigação ilícita contra Ministros desta CORTE, expeça-se ofício ao Juízo da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, solicitando cópia integral do inquérito e de todo material apreendido durante a “Operação Spoofing”, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas”, escreveu Alexandre.

Além de Alexandre de Moraes, o ministro Luiz Fux também determinou o envio de cópias da Spoofing ao Supremo Tribunal Federal. Fux também proibiu que as provas apreendidas não sejam destruídas, possibilidade que chegou a ser defendida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após a prisão dos investigados.

Até então, os autos da Spoofing, e o material apreendido com os suspeitos dos ataques hacker, estavam somente em poder da 10ª Vara Federal de Brasília.

Preventiva

Nesta quinta, 1, a Justiça Federal do Distrito Federal (DF) decidiu que os suspeitos de hackear autoridades devem permanecer presos por tempo indefinido.

A prisão preventiva foi determinada pelo juiz Ricardo Leite na noite desta quinta-feira, 1º, no limite do prazo para a prisão temporária. A decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal. O Ministério Público Federal deu parecer favorável ao requerimento da PF.

O grupo formado por Walter Delgatti Neto, Gustavo Henrique Santos, Suelen Priscila Oliveira e Danilo Marques está preso desde o dia 23 de julho, sob suspeita de hacker os celulares do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato no Paraná, e de até mil autoridades dos três Poderes.

Receita Federal

Também nesta quinta, 1, e no âmbito do inquérito que mira ataques a ministros do Supremo, Alexandre decidiu a suspensão imediata de todos os procedimentos investigatórios instaurados na Receita Federal envolvendo 133 contribuintes que entraram na mira do órgão por indícios de irregularidades, informou a assessoria da Corte.

Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo em fevereiro deste ano, a Receita Federal incluiu a advogada Roberta Maria Rangel, mulher do ministro Dias Toffoli, presidente do STF, e a ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça, entre contribuintes alvo de apuração preliminar por indícios de irregularidades tributárias. Foi a mesma investigação que atingiu o ministro do STF Gilmar Mendes e sua mulher, Guiomar Feitosa.

 

 

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