Vídeo mostra FBI confiscando máscaras de acumulador; gravação não tem relação com a China
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Vídeo mostra FBI confiscando máscaras de acumulador; gravação não tem relação com a China

Post alega que máscaras foram apreendidas nos Estados Unidos por estarem contaminadas com coronavírus, o que não é verdade

Alessandra Monnerat

22 de abril de 2020 | 19h26

O vídeo de uma equipe do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês) colocando caixas de máscaras N95 em um caminhão viralizou no Facebook com legenda que afirmava que os equipamentos de proteção foram confiscados por estarem infectados com coronavírus da China. Isso é falso: na verdade, o FBI apreendeu as máscaras da residência de um acumulador em Nova York. O equipamento foi posteriormente doado a instituições médicas.

O caso ocorreu no início do mês e foi noticiado por veículos americanos como The New York Times, New York Post e NBC News. De acordo com as reportagens, o FBI realizou operações de confisco em uma residência no Brooklyn, em Nova York, e em uma loja de reparos automotivos, em Nova Jérsei. Entre os itens apreendidos, estavam 192 mil máscaras N95, 130 mil máscaras cirúrgicas, 598 mil luvas médicas e outros equipamentos desinfetantes.

Vídeo mostra apreensão em residência de acumulador. Foto: Reprodução/Facebook

O dono da casa no Brooklyn, Baruch Feldheim, foi preso após mentir ao FBI sobre a compra dos materiais. Ele também foi indiciado por agressão, por ter tossido em um dos agentes alegando estar infectado com coronavírus.

A alegação de que os materiais de proteção foram confiscados por estarem infectados por chineses também foi checada pelos sites Africa Check e Rappler, parceiros da IFCN na Aliança CoronavirusFacts/DatosCoronavirus (leia mais sobre aqui). A AFP também desmentiu um boato parecido: nessa versão, as máscaras teriam sido apreendidas de uma sinagoga.

Na semana passada, o Estadão Verifica desmentiu, em parceria com o Comprova, a acusação de que a China havia contaminado máscaras enviadas ao Brasil.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

 

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