Vídeo de João Doria é editado para acusar governador de ofender população

Vídeo de João Doria é editado para acusar governador de ofender população

Ataques na verdade eram direcionados ao ex-governador Alberto Goldman

Pedro Prata

28 de outubro de 2020 | 18h54

Um post viral no Facebook tira de contexto trechos de um vídeo gravado pelo governador de São Paulo, João Doria, com ofensas ao ex-governador Alberto Goldman. A publicação é enganosa pois o vídeo original foi editado para retirar qualquer referência a Goldman, e não é possível entender que Doria se dirigia ao colega de partido. Esta peça de desinformação foi compartilhada ao menos 7,3 mil vezes.

“Olá, hoje o meu bom recadinho é para você. Você que é um improdutivo, um fracassado. Você coleciona fracassos na sua vida e agora vive de pijama na sua casa”, diz Doria no vídeo cortado de apenas 13 segundos. Muitos usuários se sentiram ofendidos e escreveram comentários como “Ué, não era para ficar em casa? Caramba, agora ainda fala isso de mim” e “Não sei do que está falando, não serve para mim”.

O vídeo original tem 50 segundos e pode ser encontrado na própria página do Facebook de João Doria, postado em 7 de outubro de 2017. Na ocasião ele era prefeito de São Paulo e gravou o vídeo depois que o ex-governador Alberto Goldman criticou sua gestão. Confira abaixo o vídeo na íntegra e a transcrição completa de Doria:

“Hoje meu recadinho vai para você, Alberto Goldman, que viveu sua vida inteira na sombra de Orestes Quércia e do José Serra. Você é um improdutivo, um fracassado. Perdeu inclusive as três representações que fez questão de protocolar no TRE-SP quando foi derrotado por mim nas prévias do PSDB. Você coleciona fracassos na sua vida e agora vive de pijamas na sua casa”, afirmou Doria. “Viva com a sua mediocridade que fico com o povo que me elegeu prefeito de São Paulo, povo que me acolhe, povo ao qual estou do lado diariamente. Enquanto você dorme, Alberto Goldman, eu trabalho”.

Após o vídeo com os ataques, Goldman publicou uma resposta na qual chama Doria de preconceituoso e raivoso. “Doria publica um vídeo contra mim em tom bastante raivoso, prepotente, arrogante, preconceituoso. Me acusa de ser velho. Sou velho, mas não sou velhaco. Sou leal, tenho dignidade, respeitado e tenho compromisso com meu povo”, afirmou.

O vídeo editado viralizou em um momento em que o governador de São Paulo vive embate político com o presidente Jair Bolsonaro em torno da futura vacina para covid-19. Doria fechou acordo para aquisição da vacina Coronavac, uma parceira do laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan, localizado em São Paulo. Ele também afirmou que deve tornar obrigatória a imunização no Estado, posição contrária à do presidente.

Bolsonaro, por sua vez, já desautorizou o ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, sobre um protocolo de intenção de compra de 46 milhões de doses da Coronavac. Apesar de desenvolvida pelos chineses, após um período inicial os imunizantes serão produzidos pelo Instituto Butantan.

O Estadão Verifica já checou postagens que afirmavam que Doria teria tomado a vacina e mesmo assim contraído a doença, o que não é verdade. A Coronavac também é alvo de peças de desinformação, que afirmam que o imunizante não passou por testes antes de chegar ao Brasil. A informação não procede.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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