Tuíte com erros de português é de conta que se passa pelo ministro Milton Ribeiro

Tuíte com erros de português é de conta que se passa pelo ministro Milton Ribeiro

Teólogo e mestre em Educação é alvo de boato após ser nomeado para o comando do MEC

Pedro Prata

20 de julho de 2020 | 16h39

Atualizada às 17h50 de 20 de julho de 2020.

Um tuíte com erros de português que circula nas redes sociais foi publicado por uma conta que se passa pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro. A reprodução da postagem é compartilhada como se realmente tivesse sido publicada pelo ministro, empossado na quinta-feira, 16, o que não é verdade. O Estadão Verifica fez a checagem deste conteúdo após ele viralizar no Facebook.

Tuíte não foi feito pela conta oficial do novo ministro da Educação, Milton Ribeiro. Foto: Reprodução

“Estão vasculhando pra ver se eu tenho o maternal e se eu faço lavagem celebral (sic) nas pessoas por fato (sic) de ser pastor”, diz o tuíte da conta @ProfM_Ribeiro. Procuramos o perfil no Twitter e a sua descrição já mostra que não é a conta oficial do novo ministro: “Página de apoio ao Ministro da Educação”.

Ao consultar os tuítes da falsa página, não encontramos o tuíte viral. Porém, é possível encontrar um retuíte do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no qual ele compartilha a verdadeira conta do novo ministro: @mribeiroMEC.

A assessoria de comunicação do MEC confirmou que o perfil oficial do novo ministro seja @mribeiroMEC. Ao consultar a conta, é possível notar que sua foto de perfil e sua imagem de capa foram copiadas pela página falsa.

À esquerda, o verdadeiro perfil do ministro da Educação, Milton Ribeiro; à direita, uma página que se diz ‘de apoio’ e copia as imagens da conta do ministro. Foto: Twitter/Reprodução

Boato viralizou depois da posse do ministro

Ribeiro tomou posse nesta quinta-feira, 16, como o quarto ministro da Educação do governo Bolsonaro. Ele fez discurso no qual defendeu o Estado laico, o ensino público e o diálogo com acadêmicos. Ribeiro assumiu o cargo deixado havia quase um mês pelo seu antecessor, Abraham Weintraub, que se mudou para os Estados Unidos após indicação do Brasil para assumir uma vaga no Banco Mundial. O cargo de ministro da Educação ficou vago durante todo o período.

Jair Bolsonaro chegou a anunciar a nomeação de Carlos Decotelli para o comando da pasta, mas ele sequer chegou a ser nomeado. Polêmicas envolvendo inconsistências em seu currículo acabaram pesando para que ele não chegasse a ser empossado. Isso não o impediu de colocar a passagem de cinco dias pelo MEC em seu currículo na plataforma Lattes.

Nesta segunda-feira, 20, Ribeiro anunciou que testou positivo para o novo coronavírus.

Este boato também foi verificado por AFP Checamos e Agência Lupa.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.