Texto que defende postura de Bolsonaro na pandemia não é de Mourão nem foi publicado no ‘Estadão’
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Texto que defende postura de Bolsonaro na pandemia não é de Mourão nem foi publicado no ‘Estadão’

Mensagem escrita por ginecologista gaúcha viralizou com atribuição falsa ao vice-presidente da República

Victor Pinheiro, especial para o Estadão

29 de janeiro de 2021 | 17h07

Publicações falsas nas redes sociais atribuem ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, um texto que defende a postura do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus e faz críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e opositores do governo. Na realidade, a autora da mensagem é uma ginecologista do Rio Grande do Sul. As postagens ainda espalham a informação falsa de que o conteúdo teria sido publicado no Estadão. 

O texto começa da seguinte maneira: “Não vi nosso presidente proibir nem obrigar ninguém a se vacinar… Mas vi uma suprema corte decidir que quem não se vacinar perderá direitos…” Ao final, a autora afirma que Bolsonaro é a única opção para o País. Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp do Estadão Verifica, 11 97683-7490.

Buscas na ferramenta de pesquisa do Facebook apontam que o mesmo texto foi compartilhado anteriormente com assinatura de uma médica do Rio Grande Sul. Em contato por WhatsApp, a ginecologista Ana Saintmartin confirmou ter escrito a mensagem e compartilhado o material em seu perfil na rede social. “O texto é meu mesmo! Não esperava essa repercussão envolvendo o vice-presidente!”, disse.

Além disso, a mensagem não consta em perfis oficiais de Hamilton Mourão, tampouco no portal do Estadão. No dia 17 de janeiro, o jornal publicou uma entrevista com o vice-presidente, mas não há menção a qualquer trecho do texto atribuído de forma enganosa ao general. O Estadão publicou um artigo de Mourão em 14 de maio de 2020, intitulado “Limites e responsabilidades“.

Em nota, a vice-presidência negou que Mourão seja o autor do conteúdo. 

Essa não é a primeira vez que publicações enganosas atribuem declarações ao general e outros membros do governo. Em novembro de 2019, uma conta falsa no Twitter que simulava os canais oficiais do vice-presidente incentivou “ações enérgicas” após a mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da prisão em segunda instância.

No ano passado, mensagens enganosas atribuíram ao ministro-chefe da Casa Civil, General Braga Netto, a autoria de frases e áudios sobre intervenção militar e uma carta com críticas ao Supremo Tribunal Federal. 

Agência Lupa e Aos Fatos também checaram este conteúdo.

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