Pandemia de gripe suína teve origem no México, e não na China
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Pandemia de gripe suína teve origem no México, e não na China

Post nas redes sociais aponta surtos de doenças que teriam começado no mesmo país que foi o epicentro inicial da covid-19

Pedro Prata

13 de junho de 2020 | 13h14

Uma publicação que viralizou no Facebook com informações sobre surtos de doenças passados contém uma informação falsa sobre a pandemia de gripe suína entre 2009 e 2010. A postagem diz que o surto teria se iniciado na China, mas não é verdade. O México foi o primeiro epicentro da doença.

Casos de contaminação pela gripe suína foram notificados inicialmente no México. Foto: Epitácio Pessoa/Estadão

A chamada gripe suína foi causada pelo vírus H1N1. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia moderada da doença em 11 de junho de 2009, após os casos se espalharem por América do Sul, Europa e Austrália. O alerta, no entanto, não indicou agravamento da doença, apenas a constatação de que o problema era global.

Mapa com número de casos quando foi decretada a pandemia moderada. Foto: Acervo Estadão

O estado de pandemia foi encerrado em agosto de 2010. Técnicos e especialistas da OMS reconheceram que a doença ficou sob controle e passaria a se comportar como outras enfermidades localizadas. O número de contagiados e mortes em todo o mundo acabou sendo muito menor do que a entidade internacional inicialmente previu.

A informação sobre o surto de outra doença também possui imprecisão na postagem. A publicação diz que o aumento no número de casos de H3N2 (subtipo do vírus influenza), entre 1968 e 1969, teriam surgido na China. Na verdade, eles ocorreram em Hong Kong — região administrativa especial chinesa que ficou sob domínio britânico até 1997.

A atual pandemia de covid-19 iniciou-se na província de Wuhan, na China. O país é alvo de boatos que o acusam de ter criado o novo coronavírus em laboratório. Pesquisas já comprovaram que o vírus tem origem natural. Até esta quarta, 10, o mundo tinha mais de sete milhões de casos confirmados e 408 mil óbitos pela doença. Os dados oficiais da OMS podem ser acessados aqui.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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