Coronavírus: estudo desmente teoria conspiratória sobre criação em laboratório da China
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Coronavírus: estudo desmente teoria conspiratória sobre criação em laboratório da China

Cientistas afirmam que características do SARS-CoV-2 apontam para uma origem natural

Alessandra Monnerat

19 de março de 2020 | 15h08

Leia a versão em espanhol

Desde o início da transmissão do novo coronavírus pelo mundo, teorias conspiratórias divulgadas em redes sociais e no WhatsApp especulam que o SARS-CoV-2 teria sido criado em laboratório na China. Um estudo publicado nesta semana na revista científica Nature Medicine desmente esses boatos. Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália afirmam que o vírus tem origem natural. “Nossas análises mostram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção de laboratório ou um vírus manipulado propositadamente”, informa o artigo.

Os autores do estudo compararam a estrutura genética do SARS-CoV-2 com a de outros vírus da mesma família. Os cientistas ressaltaram que, se houvesse manipulação genética em laboratório, a estrutura do novo coronavírus seria parecida com a de outros organismos existentes. Em outras palavras, se alguém quisesse criar um novo vírus com o objetivo de causar doenças, usaria um “molde” conhecido. “As informações genéticas mostram de maneira irrefutável que o SARS-CoV-2 não é derivado de nenhuma estrutura central de vírus usada anteriormente”, informa a pesquisa.

SARS-CoV-2 visto em microscópio. Foto: Divulgação/Scripps Research

Outra característica importante descarta a teoria de criação humana. Os pesquisadores analisaram a estrutura que o vírus usa para se “agarrar” às paredes externas de outras células, em especial o chamado domínio de ligação ao receptor (RBD). Essa parte do SARS-CoV-2 foi tão eficaz em se conectar a células humanas que os cientistas concluíram que ela era resultado de seleção natural, e não de engenharia genética.

A partir dessas evidências, os autores do estudo propuseram duas possíveis origens para o novo coronavírus: ele pode ter evoluído para seu estado atual em hospedeiros animais antes de passar para humanos; ou pode ter “pulado” de animais a humanos e só então ter desenvolvido suas características distintivas.

Leia o estudo em inglês aqui.

Estadão Verifica já havia apontado que a teoria conspiratória de que a China causou a pandemia da covid-19 em busca de ganhos econômicos era falsa. Primeiramente, porque especialistas já haviam indicado evidências que o vírus tinha origem natural. E em segundo lugar, as bolsas da Ásia vêm enfrentando fortes quedas em razão do novo coronavírus.

Os autores do estudo sobre as origens do novo coronavírus são: Kristian G. Andersen, doAndrew Rambaut, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido; W. Ian Lipkin, da Edward C. Holmes, da Universidade de Sydney, na Austrália; e Robert F. Garry, da Universidade Tulane, nos Estados Unidos.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

Coronavirus: un estudio desmiente la teoría conspirativa sobre su creación en un laboratorio de China

Desde el comienzo de la transmisión del nuevo coronavirus en el mundo, hay teorías conspirativas que se difunden en las redes sociales y en WhatsApp y que especulan acerca de que el SARS-CoV-2 habría sido creado en un laboratorio en China. Un estudio publicado esta semana en la revista científica Nature Medicine desmiente esos rumores. Investigadores de universidades de Estados Unidos, Reino Unido y Australia afirman que el virus tiene un origen natural. “Nuestros análisis muestran claramente que el SARS-CoV-2 no es una construcción de laboratorio o un virus manipulado en forma deliberada”, informa el artículo.

Los autores del estudio compararon la estructura genética del SARS-CoV-2 con la de otros virus de la misma familia. Los científicos destacaron que si hubiera manipulación genética en laboratorio, la estructura del nuevo coronavirus sería parecida a la de otros organismos existentes. Dicho de otra forma, si alguien quisiera crear un nuevo virus con el objetivo de causar enfermedades, usaría un “molde” conocido. “Las informaciones genéticas muestran de manera irrefutable que el SARS-CoV-2 no deriva de ninguna estructura central de virus usada anteriormente”, informa el estudio.

SARS-CoV-2 visto en el microscopio. Foto: Divulgación/Scripps Research

Otra característica importante descarta la teoría de que es una creación humana. Los investigadores analizaron la estructura que utiliza el virus para “agarrarse” a las paredes exteriores de otras células, en particular el llamado dominio de unión al receptor (RBD). Esa parte del SARS-CoV-2 fue tan eficaz para conectarse a células humanas que los científicos concluyeron que es el resultado de la selección natural y no de ingeniería genética.

A partir de esas evidencias, los autores del estudio propusieron dos posibles orígenes para el nuevo coronavirus: puede haber evolucionado a su estado actual en hospederos animales antes de pasar a los seres humanos o puede haber “saltado” de los animales a los seres humanos y recién entonces haber desarrollado sus características distintivas.

Lea el estudio en inglés aquí.

Estadão Verifica ya había señalado que la teoría conspirativa de que China causó la pandemia de la Covid-19 buscando ganancias económicas era falsa. En primer lugar, porque los especialistas ya habían señalado evidencias de que el virus tenía origen natural. Y en segundo lugar, las bolsas asiáticas vienen enfrentando fuertes caídas debido al nuevo coronavirus.

Los autores del estudio sobre los orígenes del nuevo coronavirus son: Kristian G. Andersen (Scripps Research Institute – Estados Unidos); Andrew Rambaut (Universidad de Edimburgo – Reino Unido); W. Ian Lipkin (Columbia University – Estados Unidos); Edward C. Holmes (Universidad de Sydney – Australia) y Robert F. Garry (Universidad Tulane – Estados Unidos).

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