Vídeo de operação contra o tráfico de drogas é tirado de contexto para atacar ONGs na Amazônia

Vídeo mostra policiais apreendendo entorpecentes escondidos dentro de um tronco de árvore na Amazônia

Pedro Prata

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Um vídeo de uma operação policial contra o tráfico de drogas foi tirado de contexto nas redes sociais para atacar a atuação de ONGs na AmazôniaPostagens no Facebook afirmam que a gravação mostra a “Polícia Federal atrapalhando o trabalho ‘sério’ das ONGs”, o que é falso. Trata-se de uma ação que resultou na prisão de ao menos quatro integrantes de uma facção criminosa. Este conteúdo foi compartilhado ao menos 81,1 mil vezes no Facebook.

A filmagem mostra policiais retirando uma grande quantidade de drogas do tronco de uma árvore. Armas e mais entorpecentes também foram encontrados enterrados.

Operação policial mirava organização criminosa, não ONGs. Foto: Reprodução

Ao final do vídeo, chama a atenção o escudo da Polícia Civil do Amazonas. Esta é uma informação que dá pistas de como começar a procurar pelas informações acerca da operação.

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Uma busca no Google com as palavras-chave “Polícia Civil”, “apreensão de drogas” e “floresta” permite encontrar uma notícia no site da Polícia Civil do Amazonas de 12 de novembro. Na ocasião, a corporação, em parceria com a Polícia Federal, apreendeu duas toneladas de cocaína e maconha do tipo skunk em uma ilha do Rio Negro, nas proximidades do município de Novo Airão.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil confirmou que o vídeo utilizado no boato foi gravado durante a operação e encaminhou entrevistas de dois delegados envolvidos. Eles afirmam que cinco pessoas foram presas e eram integrantes de uma facção criminosa. Diferentemente do que diz a postagem viral, não há relação com ONGs.

O delegado Rafael Allemand, diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), disse que os detidos eram “líderes de uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas intermunicipal”.

Já Juan Valério, delegado do Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera), ressaltou que foi encontrado armamento pesado e que os criminosos atuavam com tática de guerrilha. Nenhum dos dois menciona a participação de ONGs no esquema. 

Não é a primeira vez que ONGs são alvo de desinformação. O Estadão Verifica já desmentiu uma postagem que criava falsa relação entre uma apreensão R$ 15 mi em ouro ilegal e atuação de ONGs na Amazônia. Também mostrou ser falso que o Exército tenha apreendido madeira ilegal ligada a ONGs e MST.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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