Mudança em estatística de covid-19 no Rio não tem relação com operação da PF
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Mudança em estatística de covid-19 no Rio não tem relação com operação da PF

Publicações no Facebook distorcem conteúdo de reportagem da GloboNews

Alessandra Monnerat

28 de maio de 2020 | 19h43

Não é verdade que uma operação da Polícia Federal tenha motivado a exclusão de 1.177 mortos das estatísticas de covid-19 da cidade do Rio de Janeiro. No Facebook, esta informação falsa foi compartilhada em posts com fotos de uma reportagem da GloboNews que mostra uma mudança na metodologia de contagem de óbitos pelo novo coronavírus. A estatística da Prefeitura do Rio passou a considerar apenas as mortes em que o atestado de óbito apontava covid-19 como causa; essa revisão dos dados fez com que os números divulgados pelo município fossem diferentes dos publicados pelo governo do Estado.

Foto: Reprodução/Facebook

Na terça-feira, 26, o boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio registrava 2.978 vítimas fatais do novo coronavírus na capital. Já o painel Rio Covid-19, da Prefeitura do Rio, indicava 1.801 óbitos — diferença de 1.177 para os números compilados pelo governo do Estado.

De acordo com a reportagem da GloboNews, a discrepância entre os dois dados ocorreu porque em muitos casos a confirmação do exame que aponta infecção pelo novo coronavírus só ocorre depois da morte. A Prefeitura afirmou que os parentes poderiam alterar a certidão de óbito depois do teste positivo para covid-19.

Ou seja: a exclusão de mortes na estatística de covid-19 no Rio não teve qualquer relação com a Polícia Federal. Em nota ao Estadão Verifica, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da capital fluminense afirmou que a postagem no Facebook era “MENTIROSA, fake news, não procede de forma alguma”.

A Polícia Federal divulga as operações que realiza no portal Agência PF, que não tem nenhuma notícia sobre ações na SMS.

Na terça-feira, 26, a PF deflagrou a Operação Placebo, que promoveu buscas em endereços ligados ao governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). Há indícios de irregularidades nos contratos emergenciais firmados pela Saúde estadual — entenda o que é investigado.

O site Aos Fatos também publicou uma checagem semelhante.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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