Imagem de disparo de mísseis é antiga, sem relação com invasão da Ucrânia

Imagem de disparo de mísseis é antiga, sem relação com invasão da Ucrânia

Fotografia circula na internet ao menos desde 2017 e não retrata ataques recentes da Rússia contra país do Leste Europeu

Jullie Pereira, especial para o Estadão

02 de março de 2022 | 17h15

Uma imagem que mostra o disparo de vários mísseis é antiga e não tem relação com o conflito atual entre Rússia e Ucrânia, como afirmam publicações compartilhadas nas redes sociais. A foto, na realidade, circula na internet ao menos desde 2017. 

No Facebook, a imagem foi publicada com a legenda: “Oremos. Confirmado. Rússia começou o ataque à Ucrânia”. O post já foi compartilhado mais de 5 mil vezes.

Com a ferramenta de busca reversa de imagens (veja como utilizar aqui) foi possível encontrar a mesma foto ilustrando reportagens publicadas em diferentes anos. Neste site em croata, a fotografia aparece em matérias em 20172018 sobre novos lançadores de foguetes russos. A imagem é creditada a Vadim Savicki, da agência Global Look Press. Neste outro site, em russo, a foto ilustra um texto de 2021 sobre a escalada de tensão entre Ucrânia e Rússia. O Estadão Verifica não conseguiu identificar a localização da fotografia, mas é possível afirmar que o registro não é recente.

Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, diversas imagens fora de contexto circulam nas redes sociais. Recentemente, o Estadão Verifica comprovou que uma foto de um ataque noturno com mísseis foi tirada na Faixa de Gaza, não na Ucrânia. Veja outras imagens que circulam com legendas falsas nesta verificação.

Nesta quarta-feira, 2, a Rússia aumentou o cerco a Kiev, capital ucraniana, e deve intensificar a ação militar para tomar a cidade. É o 7° dia da ofensiva de Moscou contra o território ucraniano. Acompanhe a cobertura ao vivo do Estadão e o contexto geopolítico da crise.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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