Imagem de enfermeiros vestindo sacos de lixo contra coronavírus é dos EUA
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Imagem de enfermeiros vestindo sacos de lixo contra coronavírus é dos EUA

Postagem engana ao alegar improviso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde brasileiros e também apresenta informações desatualizadas sobre o 'auxílio-paletó'

Samuel Lima, especial para o Estado

22 de abril de 2020 | 14h37

Leia a versão em espanhol

Circula nas redes sociais uma imagem de enfermeiras vestindo sacos de lixo como equipamento de proteção para o atendimento de pacientes com o novo coronavírus, acompanhada de crítica ao “auxílio paletó” pago a políticos no Brasil. A fotografia, no entanto, foi tirada em um hospital de Nova Iorque, nos Estados Unidos, no mês passado. Uma das versões do boato teve mais de 48 mil compartilhamentos até às 10h desta quarta-feira, 22.

O Estadão Verifica fez uma pesquisa reversa no Google e encontrou a imagem publicada em reportagem do jornal New York Post, em 25 de março. O artigo afirma, por meio de fontes não identificadas, que ela retrata o improviso de enfermeiros do Hospital Mount Sinai West diante da falta de uniformes hospitalares.

Imagem de enfermeiros e dos EUA. Foto: Reprodução/Facebook

Funcionários afirmaram que estavam utilizando os mesmos equipamentos entre pacientes infectados ou não pela covid-19 e eram obrigados a reutilizar máscaras e “escudos faciais”. O hospital negou a situação em entrevista à NBC News, alegando que os funcionários vestiram os sacos de lixo sobre os equipamentos corretos e que estes são dispensados caso não haja material disponível. 

A fotografia foi publicada nas redes sociais de trabalhadores do hospital e ganhou repercussão após a morte do enfermeiro Kious Kelly, de 48 anos, vítima do novo coronavírus, em 24 de março. O caso também foi reportado por veículos como Associated Press e The Independent.

Ainda que a foto não mostre a utilização de sacos de lixo como proteção no Brasil, a falta de equipamentos também ocorre entre os profissionais de saúde brasileiros, segundo o Conselho Federal de Enfermagem. A entidade revelou, no dia 14 de abril, que havia recebido 3,6 mil denúncias sobre falta de luvas, máscaras, macacões e álcool gel na linha de frente do combate à pandemia. O Ministério da Saúde afirmou, no dia 17, que foram enviados 71 milhões de itens para a rede pública de saúde desde o começo da crise.

Custo do “auxílio-paletó”

As postagens enganosas de perfis brasileiros no Facebook com a imagem do hospital norte-americano criticam gastos no país com “auxílio-paletó” que seriam equivalentes a R$ 63 milhões por ano. O Estadão Verifica pesquisou a fonte dos valores citados, que não é indicada na descrição do conteúdo.

Buscas pelo termo “auxílio-paletó” e pelo número no Google retornaram diversos artigos que citam reportagem do Congresso em Foco, de 13 de abril de 2012, com base em levantamento dos pagamentos feitos a parlamentares do Congresso Nacional e de 16 assembleias legislativas estaduais. A informação, portanto, está desatualizada.

Atualmente, a concessão do benefício a deputados federais e senadores segue as regras do decreto legislativo de 2014, que determinou a “ajuda de custo” apenas no início e no final do mandato. A verba equivale ao salário dos parlamentares do Congresso Nacional, de R$ 33.763, e seria “destinada a compensar as despesas com mudança e transporte”.

Parlamentares do Distrito Federal e os reeleitos também recebem o benefício, nesse último caso, em dobro. Os suplentes também podem acessar o subsídio, desde que obedecidos períodos mínimos de exercício da função.

Após as eleições de 2018, com a troca de legislatura, o gasto total da Câmara dos Deputados com a ajuda de custo foi de R$ 33,6 milhões. O Senado Federal, cuja disputa envolveu dois terços das vagas, desembolsou mais R$ 2,6 milhões. As informações foram fornecidas pelas assessorias das duas casas legislativas.

Considerando a hipótese de gastos idênticos no final do mandato (sendo a metade para o Senado, que renova um terço das vagas na próxima eleição) e a ausência de pagamentos a suplentes até 2022, o “auxílio-paletó” custaria hoje R$ 17,8 milhões por ano ao orçamento do Congresso Nacional. Em 2012, segundo a matéria do Congresso em Foco, o subsídio custava R$ 27,4 milhões por ano — ou R$ 40 milhões em valores corrigidos pela inflação.

O “auxílio-paletó” também é pago a parte dos deputados estaduais e vereadores, segundo critérios definidos pelas assembleias legislativas e câmaras municipais. Além disso, os parlamentares brasileiros podem receber outros benefícios, como verba de gabinete e auxílio-moradia, a exemplo dos membros do Congresso.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

Imagen de enfermeros vistiendo bolsas de basura contra el coronavirus es de EE.UU.

ABRIL 22, 2020

Por las redes sociales circula una imagen de enfermeros vistiendo bolsas de basura como equipo de protección para atender a pacientes con el nuevo coronavirus, y está acompañada de una crítica al auxílio-paletó, nombre popular del beneficio para gastos de traslado que reciben los políticos en Brasil. Sin embargo, la fotografía fue tomada en un hospital de Nueva York, EE.UU., el mes pasado. Una de las versiones del rumor fue compartida más de 48.000 veces hasta las 10 horas del miércoles 22.

Estadão Verifica realizó una investigación inversa en Google y encontró que la imagen había sido publicada en un reportaje del periódico New York Post el 25 de marzo. Por medio de fuentes no identificadas, el artículo afirma que la foto retrata a enfermeros del Hospital Mount Sinai West que improvisaron con bolsas los uniformes hospitalarios faltantes.

Los trabajadores sanitarios afirmaron que estaban usando los mismos equipos entre pacientes infectados o no por Covid-19 y se los obligaba a reutilizar máscaras y “escudos faciales”. En una entrevista dada a NBC News, el hospital negó la situación y mencionó que los trabajadores sanitarios vistieron bolsas de basura sobre el equipo correcto, y el mismo se desecha aunque no haya material disponible.

La fotografía se publicó en las redes sociales de trabajadores del hospital y ganó repercusión luego de la muerte del enfermero Kious Kelly de 48 años, víctima de coronavirus, el 24 de marzo. Medios como Associated Press y The Independent también reportaron el caso.

Si bien la foto no muestra el uso de bolsas de basura como elemento de protección en Brasil, entre los profesionales de salud brasileños también faltan equipos de protección, según comenta el Consejo Federal de Enfermería. La entidad reveló que el día 14 de abril había recibido 3600 denuncias sobre falta de guantes, máscaras, monos y alcohol en gel en la primera línea de combate a la pandemia. El día 17, el Ministerio de Salud afirmó que se habían enviado 71 millones de artículos a la red pública de salud desde el inicio de la crisis. 

Costo del beneficio auxílio-paletó 

Las publicaciones engañosas de perfiles brasileños en Facebook con la fotografía del hospital norteamericano critican el gasto en que el país incurre debido al auxílio-paletó (o beneficio para gastos de traslado) y que equivaldría a R$ 63 millones por año. Estadão Verifica investigó la fuente del valor indicado que no se menciona en el contenido.

Las búsquedas realizadas por la expresión auxílio-paletó y por el número en Google remitieron a diversos artículos que citan un reportaje del medio Congresso em Foco, del 13 de abril de 2012, en base al relevamiento de los pagos realizados a parlamentarios del Congreso Nacional y de 16 asambleas legislativas estaduales. Por lo tanto, la información está desactualizada.

En la actualidad, la concesión del beneficio a diputados federales y senadores sigue las reglas del decreto legislativo de 2014 que determinó la “ayuda para gastos” solamente al inicio y al final del mandato. El monto equivale al salario de R$ 33.763,00 de los parlamentarios del Congreso Nacional, y sería “destinado a compensar los gastos por mudanza y transporte”.

Tanto los parlamentarios del Distrito Federal como los reelectos reciben el beneficio. En este último caso, reciben el doble. Los suplentes también pueden tener acceso al subsidio, siempre que se cumplan los períodos mínimos del ejercicio de la función.

Luego de las elecciones de 2018, con el cambio de legislatura, el gasto total de la Cámara de Diputados por la ayuda para gastos fue de R$ 33,6 millones. El Senado Federal, cuya disputa involucró dos tercios de las butacas, desembolsó R$ 2,6 millones más. La asesoría de ambas Cámaras legislativas brindó dicha información.

Considerando la hipótesis de gastos idénticos al final del mandato (la mitad corresponde al Senado que renueva un tercio de las butacas en la próxima elección) y la falta de pagos a suplentes hasta el 2022, el auxílio paletó costaría hoy al presupuesto del Congreso Nacional R$ 17,8 millones por año. En 2012, según el artículo de Congresso em Foco, el subsidio costaba R$ 27,4 millones por año, o R$ 40 millones en valores corregidos por la inflación.

Parte de los diputados estaduales y concejales también recibe el auxílio paletó, según criterios definidos por las asambleas legislativas y cámaras municipales. Por otro lado, los parlamentarios brasileños pueden recibir otros beneficios, como recursos para gabinete y asistencia habitacional, por ejemplo, como reciben los miembros del Congreso.

 

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