Estudos com hidroxicloroquina são preliminares; não compartilhe promessas de curas milagrosas do coronavírus
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Estudos com hidroxicloroquina são preliminares; não compartilhe promessas de curas milagrosas do coronavírus

Uso do medicamento não é recomendado pela Anvisa como prevenção ou tratamento; confirmação da eficácia depende de mais testes

Alessandra Monnerat

23 de março de 2020 | 14h22

Ainda não foi comprovada a eficácia do uso de hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento de pacientes com covid-19. Os resultados dos testes com os medicamentos ainda não conclusivos. As publicações nas redes sociais que afirmam que as drogas associadas conseguem “eliminar o coronavírus em até três dias, inclusive em casos graves” estão descontextualizadas e podem oferecer riscos à saúde, já que a automedicação é perigosa.

Na sexta-feira, 20, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu que remédios com hidroxicloroquina e cloroquina só podem ser comprados com receita médica. “Apesar de alguns resultados promissores, não há nenhuma conclusão sobre o benefício do medicamento no tratamento do novo coronavirus”, diz a Anvisa, que não recomenda uso do produto no momento.

Caixa do remedio sulfato de hidroxicloroquina, conhecido como Reuquinol. Foto: Márcio Pinheiro/SESA

 

A decisão teve por objetivo parar a corrida pelo medicamento nas farmácias. Pacientes com doenças reumáticas e autoimunes, que fazem uso da hidroxicloroquina regularmente, relataram dificuldade de achar o remédio em estoque.

Apesar de apresentar resultados promissores em testes com alguns pacientes da covid-19, ainda não há conclusão científica sobre a eficácia da cloroquina no combate ao coronavírus. Como o Estado publicou na quinta-feira, 19, testes feitos por chineses e sul-coreanos tiveram resultados positivos, mas ainda preliminares.

Na França, a hidroxicloroquina foi utilizada em combinação com a azitromicina em seis pacientes. Os resultados também foram encorajadores, mas foram em poucas pessoas. Novamente: a confirmação da eficácia depende de mais testes.

Tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se precipitaram ao alardear o uso da droga como possível solução para a crise do coronavírus.

Acompanhe a cobertura em tempo real do Estado sobre o novo coronavírus.

Confira as respostas a 115 dúvidas sobre a covid-19.

Veja outras informações falsas sobre o coronavírus que circulam no WhatsApp.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

 

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