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É falso que ‘tratamento correto’ da covid-19 seja com antibióticos

Antibióticos são substâncias que matam ou inibem o crescimento de colônias de bactérias, mas não impedem a proliferação de vírus; publicação no Facebook cita erroneamente cloroquina como antibiótico

Estadão Verifica

14 de maio de 2020 | 15h31

Um boato que circula no Facebook afirma que antibióticos são eficazes na cura da covid-19 e que o tratamento pode ser feito em casa. O texto ainda qualifica erroneamente a hidroxicloroquina, medicamento usado no tratamento de malária, artrite e lúpus, como antibiótico. 

Antibióticos são substâncias que matam ou inibem o crescimento de colônias de bactérias, mas não impedem a proliferação de vírus. A covid-19 é causada por um vírus. Em alguns casos, o tratamento de doenças virais inclui o uso de antibióticos, mas apenas para evitar que bactérias provoquem uma “infecção oportunista” em um momento de vulnerabilidade do organismo. Por isso, desconfie de qualquer mensagem que recomende o uso de antibióticos contra covid-19. Espalhar desinformação sobre a doença e seus tratamentos pode até provocar mortes.  

Caixa do remédio sulfato de hidroxicloroquina, conhecido como Reuquinol. Foto: Márcio Pinheiro/SESA

A hidroxicloroquina, citada no boato, foi testada no tratamento de pacientes com covid-19. Mas estudos recentes, como um publicado no New England Journal of Medicine, não demonstraram eficácia. 

Boatos sobre o medicamento ganharam impulso quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apontou a hidroxicloroquina como possível cura para a doença. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores também promovem o seu uso, apesar dos riscos de efeitos colaterais e da falta de evidências científicas de melhoras de pacientes com covid-19. 

A publicação no Facebook, que soma dezenas de milhares de compartilhamentos em diversos perfis da rede social, também aponta que “90% das mortes por coronavírus no mundo inteiro foram por causa de erro médico”. Trata-se de um ataque infundado aos profissionais de saúde que colocam a própria vida em risco para atender aos atingidos pela pandemia do novo coronavírus.

Entre as recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre as medidas preventivas contra o novo coronavírus estão o cuidado redobrado com a higiene, o uso de máscaras e o isolamento social para os que podem ficar em casa.

Pesquisas em andamento

Um levantamento publicado pelo Estado mostra que existem mais de 70 estudos sobre coronavírus sendo realizados no País, 21 deles testes de possíveis tratamentos. Mas ainda não há resultados conclusivos. 

Uma das drogas testadas contra o coronavírus é a ivermectina. Ela foi experimentada em estudo feito por pesquisadores da Universidade de Melbourne e do Hospital Royal Melbourne, na Austrália, que demonstrou que o medicamento é capaz de matar o novo coronavírus in vitro. No entanto, os próprios cientistas pediram cautela sobre a descoberta e afirmaram que são necessários testes clínicos para avaliar a eficácia do remédio na prática, fora do laboratório.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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