Estudo australiano ainda não provou eficácia de remédio contra coronavírus em humanos
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Estudo australiano ainda não provou eficácia de remédio contra coronavírus em humanos

Publicações nas redes sociais utilizam pesquisa da Monash University para decretar o ‘fim do pesadelo’ da covid-19, mas instituição afirma que ainda é preciso realizar testes clínicos do Ivermectin

Pedro Prata

08 de abril de 2020 | 16h14

Não é verdade que pesquisadores australianos tenham descoberto a cura para a covid-19. Publicações nas redes sociais citam um estudo da Monash University para decretar o ‘fim do pesadelo’ do novo coronavírus, mas a verdade é que o resultado positivo sobre a utilização do remédio antiparasita Ivermectina no combate ao coronavírus depende ainda de testes clínicos.

“Embora pareça ter sido bem-sucedido no ambiente de laboratório, Ivermectin não pode ser usado para tratar a covid-19 até que sejam concluídos os testes clínicos para se comprovar a sua eficiência em dosagens seguras para os seres humanos”, alerta a publicação da Monash University sobre a descoberta. “O potencial uso de Ivermectina para tratamento do coronavírus permanece não provado e depende de testes clínicos para avançar.”

SARS-CoV-2 visto em microscópio. Foto: Divulgação

A Ivermectina é um antiparasitário utilizado em todo o mundo para tratar infecções causadas por vermes ou parasitas como elefantíase, lombriga, sarna e piolho. Em estudo da Monash University com o Royal Melbourne Hospital, pesquisadores identificaram que uma dose de Ivermectina reduziu em até 100% a presença do SARS-CoV-2 (o nome do coronavírus responsável pela covid-19) em uma cultura de células.

O Ivermectin já havia apresentado resultados semelhantes em testes envolvendo a AIDS, a dengue, a influenza (gripe) e o zika vírus. A universidade faz questão de reforçar, no entanto, que ainda não se sabe se o medicamento é eficiente no tratamento do coronavírus em dosagens seguras ao ser humano.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas: apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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