É falso que o pai de Boulos seja dono de ‘mansão desocupada’; boato de 2018 voltou a circular
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É falso que o pai de Boulos seja dono de ‘mansão desocupada’; boato de 2018 voltou a circular

Imóvel na Vila Mariana foi demolido e deu lugar à construção de um prédio; casa pertencia a uma família de mesmo sobrenome que o candidato do PSOL

Tiago Aguiar

27 de novembro de 2020 | 20h43

É falsa a informação de que o infectologista Marcos Boulos, pai do candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSOLGuilherme Boulos, é proprietário de uma casa desocupada na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. O boato foi desmentido pelo Estadão Verifica em 2018, mas voltou a circular nas redes sociais. O imóvel em questão já foi demolido.

Utilizando a ferramenta de geolocalização Google Maps, é possível verificar que a casa foi demolida em 2018, e deu lugar à construção de um edifício. Segundo dados disponibilizados pela Prefeitura da capital no portal ‘Geosampa’, o lote pertence atualmente à Mitre Vila Mariana Empreendimentos. No quadro societário da empresa, não há ninguém com o sobrenome Boulos.

Antes da demolição da casa, a Agência Pública verificou a história e obteve o registro da certidão do imóvel. O documento mostra que a casa pertencia a uma família de nome Boulos, mas não há menção ao infectologista Marcos Boulos na certidão. O candidato do PSOL comentou o boato em vídeo publicado no YouTube, e afirmou que Boulos é um sobrenome comum em famílias de origem libanesa.

 

A alegação falsa sobre o pai de Boulos voltou a circular neste mês, no segundo turno das eleições municipais de São Paulo. A publicação com mais compartilhamentos é do Jornal da Cidade Online. Em maio de 2018, o site informou que o proprietário original da casa, Nelson Boulos, entrou em contato para desmentir o boato e disse que nunca teve contato com o líder do MTST. Apesar de se retratar no texto, o jornal não corrigiu a publicação original, que segue sendo compartilhada.

A campanha de Boulos já desmentiu uma publicação semelhante.

Este conteúdo também foi checado por Agência Lupa, E-farsas, Agência Pública e Boatos.org.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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