É falso que jornal Charlie Hebdo tenha publicado charge com sátira de Lula e crítica ao STF
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É falso que jornal Charlie Hebdo tenha publicado charge com sátira de Lula e crítica ao STF

Montagem combina charge adulterada de veículo peruano com capa antiga do jornal francês

Victor Pinheiro, especial para o Estadão

28 de fevereiro de 2021 | 22h18

Voltou a circular nas redes sociais uma capa falsamente atribuída ao jornal satírico francês Charlie Hebdo com uma charge do ex-presidente Lula assediando estátua da Justiça e uma mensagem ofensiva ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

A figura, no entanto, é uma montagem que altera material publicado pelo jornal peruano Perú 21 em 2015, cuja versão original não faz qualquer referência ao petista ou à corte brasileira. A imagem legítima retrata o ex-presidente do Peru Alan García, que faleceu em 2019.  

Capa da revista El Otorongo, da empresa de mídia peruana Perú 21. Imagem: Reprodução/Peru21

Já o cabeçalho usado para simular a identidade visual do Charlie Hebdo foi apropriado de uma edição de setembro de 2012, mostra uma mensagem do jornal no Twitter. A charge principal fazia uma sátira com o profeta islâmico Maomé em meio a reações violentas a um filme “anti-islâmico”, reportou o HuffPost na época.  

O site do Charlie Hebdo apresenta as capas de todas as edições semanais desde janeiro de 2018. Nenhuma delas, porém, retrata o STF ou políticos brasileiros. 

Conteúdo enganoso (esquerda) se apropria do cabeçalho da edição 1057 do Charlie Hebdo (direita). (Reprodução/Facebook e Twitter/Charlie Hebdo)

Boato antigo

Uma verificação do G1 mostra que a charge falsa circula nas redes sociais desde 2015. A matéria aponta que a montagem ganhou força nas redes sociais após o STF aceitar o julgamento de um habeas corpus de Lula em 2018. A imagem também viralizou diante da nomeação fracassada do ex-presidente para o cargo de ministro da Casa Civil durante o governo Dilma, em 2016. 

Desta vez, o conteúdo voltou a se espalhar nas redes sociais dias depois de o Supremo determinar a prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) por divulgar um vídeo com apologia ao Ato Institucional 5 (AI-5) e discurso de ódio contra os integrantes da Corte.  

O Charlie Hebdo já foi usado em outras charges enganosas. Em abril de 2019, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduzir a pena do ex-presidente Lula, caricaturas dos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, falsamente atribuídas ao jornal, foram compartilhadas nas redes sociais. Outra montagem usou uma figura de ministros da Corte sentados a uma mesa, em alusão à Santa Ceia, com a frase em francês “Suprema Corte do Brasil acha que Lula é um santo”.

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