É falso que Felipe Neto tenha publicado tuíte com apologia à pedofilia
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É falso que Felipe Neto tenha publicado tuíte com apologia à pedofilia

Youtuber reclamou ser alvo desse tipo de boato há anos

Pedro Prata

26 de maio de 2020 | 17h01

O youtuber Felipe Neto foi alvo de boatos que o acusam de fazer apologia à pedofilia. Um tuíte falso é compartilhado nas redes sociais e atribui a ele a frase “A culpa da pedofilia é dessas crianças gostosas”. Diferentes publicações com a montagem já somavam mais de 100 mil visualizações no Facebook um dia após a publicação nesta segunda, 25. O mesmo boato foi encontrado no Twitter.

Felipe Neto já foi alvo de boatos anteriormente: ‘Nada foi feito, até hoje, para coibir esses criminosos e seus prints fake‘ Foto: Instagram/@felipeneto

A assessoria de comunicação de Felipe confirmou que o tuíte é montagem. O Estadão Verifica fez uma busca relacionada entre o termo ‘pedofilia’ e a conta do youtuber e não encontrou o suposto tuíte.

Felipe Neto é o youtuber brasileiro com o maior número de inscritos em seu canal: 38,1 milhões. Alvo de boatos relacionando-o à pedofilia em outras ocasiões, ele já gravou vídeos nos quais alertava pais para a exposição de seus filhos na plataforma de vídeos online. Em uma das ocasiões, cobrou do YouTube uma resposta da denúncia de que vídeos com crianças postados nas plataformas estavam movimentando uma rede de pedófilos.

No mesmo dia em que a montagem começou a viralizar, Felipe Neto compartilhou a mensagem falsa em seu Twitter. “Olá ministro Alexandre (de Moraes), ontem você mostrou como é ser vítima desse tipo de crime. Gostaria de te mostrar o tipo de coisa que eu lido há anos, mas que vem acontecendo fora de controle desde as eleições. Nada foi feito, até hoje, para coibir esses criminosos e seus prints fake.”

Do domingo, 24, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, compartilhou um boato do qual era alvo e falou que o Poder Judiciário responderá com firmeza para responsabilizar quem cria notícias falsas. “Lamentável que milícias digitais, criminosamente, inventem mensagens e perfis falsos e mentirosos, como esse anexo, para desgastar a Democracia e o Estado de Direito”, escreveu. Moraes é relator no STF de um inquérito que apura a divulgação de notícias falsas contra integrantes da Corte.

As equipes de checagem do Boatos.org e da Agência Lupa também desmentiram esse boato.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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