É falso que Doria tenha mandado recolher cloroquina das farmácias de SP
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É falso que Doria tenha mandado recolher cloroquina das farmácias de SP

Boatos nas redes sociais usam remédio para polarizar o governador de São Paulo e o presidente da República

Tiago Aguiar

19 de maio de 2020 | 16h41

Não é verdade que o governador de São Paulo, João Doria, tenha decretado o recolhimento de cloroquina e hidroxicloroquina das farmácias do Estado de São Paulo. O boato falso circula nas redes sociais desde o último final de semana. O governador vem sendo alvo de peças de desinformação desde que as divergências sobre as medidas de contenção do novo coronavírus entre ele e o presidente Jair Bolsonaro aumentaram.

O boato não tem base em nenhuma medida do governo das últimas semanas. Uma dos perfis nas redes que deu mais amplificação ao boato foi o assessor do Planalto Arthur Weintraub, ao postar sobre o caso como pergunta na última quinta-feira, 14.

O governo do Estado, em nota, comentou que recebe os medicamentos do Governo Federal, responsável pelas diretrizes técnicas para uso de remédios, além de negar ter tomado qualquer medida de recolhimento de medicação. O Sincofarma-SP, entidade que representa farmácias e drogarias no Estado, também negou qualquer interferência do governo do Estado.

Boato que circula nas redes sociais tenta atribuir a Doria rejeição a medicamentos que o presidente Bolsonaro exalta

O Conselho Regional de Farmácias do Estado de São Paulo, entidade fiscalizadora da atividade farmacêutica, emitiu nota técnica nesta segunda-feira sobre o uso de cloroquina e outros medicamentos no tratamento de covid-19, indicando que as drogas só devem ser disponibilizadas com prescrição médica.

Documento

Na coletiva de imprensa desta segunda-feira, 18, o governador foi questionado sobre o uso da cloroquina nos hospitais do Estado. Em resposta, Doria disse que cabe ao profissional médico a decisão, de acordo com os estudos clínicos e histórico do paciente. “Não se prescreve receita por decreto. Portanto, São Paulo não vai aceitar que, por decreto, se estabeleça receituário médico. Nenhuma parte do mundo se trata saúde por decreto ou medida de ordem política”, afirmou.

Veja (aos 55 minutos):

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Publicado por João Doria em Segunda-feira, 18 de maio de 2020

Em abril deste ano, a Agência Lupa desmentiu o boato que Doria teria proibido a utilização de cloroquina no tratamento de pessoas infectadas com covid-19 em hospitais paulistas.

Estadão Verifica também mostrou que é falso que o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), tenha mandado recolher o remédio ivermectina das farmácias do Estado. 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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