É falsa postagem atribuída a Deltan Dallagnol com críticas a Rodrigo Maia

É falsa postagem atribuída a Deltan Dallagnol com críticas a Rodrigo Maia

Ex-chefe da Lava Jato não publicou post no Facebook em apoio ao governo Jair Bolsonaro

Pedro Prata

11 de dezembro de 2020 | 17h12

Voltou a viralizar nas redes sociais uma postagem falsa atribuída ao ex-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, com críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Publicada inicialmente em 25 de março de 2019, esta peça de desinformação já foi compartilhada mais de 60 mil vezes e voltou a circular no Facebook recentemente.

Foto: Reprodução

O post falso critica Maia por supostamente pedir cargos e vantagens a deputados como condição para aprovar reformas do governo federal. “Como não conseguiu”, diz a postagem fabricada, “começou a criticar o governo e seus principais líderes”.

O Estadão Verifica fez uma busca no Facebook e no Twitter do ex-chefe da Lava Jato pelo termo “Rodrigo Maia”, e não encontrou o post. As únicas menções de Dallagnol ao nome do presidente da Câmara foram para compartilhar notícias da imprensa referentes à tramitação no Congresso de pautas relacionadas ao exercício do Judiciário, como as Dez Medidas contra a Corrupção e o Projeto de Lei do Abuso de Autoridade.

Dallagnol teceu comentários sobre projetos de lei referentes à atuação do Judiciário e dos investigadores. Foto: Facebook/@deltandallagnol/Reprodução

Procurada, a assessoria de comunicação do Ministério Público Federal no Paraná confirmou que o procurador não fez a postagem. “Supomos ser montagem ou ter sido postado por um dos perfis falsos atribuídos ao procurador que existem ainda hoje ou existiram em algum momento”, disse em nota.

Deltan Dallagnol ganhou proeminência por chefiar a equipe de procuradores que realizou a Operação Lava Jato. Com isso, se tornou alvo de peças de desinformação que usam seu nome indevidamente. O procurador alertou para “perfis fakes” com sua imagem em outubro de 2018.

O Estadão Verifica já checou versões adulteradas de conversas entre Dallagnol e o ex-juiz federal Sérgio Moro.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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