Depois do presidente, bolsonaristas também usam dados falsos para atacar Miriam Leitão
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Depois do presidente, bolsonaristas também usam dados falsos para atacar Miriam Leitão

Jornalista foi falsamente apontada como mulher que segura fuzil em foto ao lado do guerrilheiro Carlos Lamarca

Alessandra Monnerat

22 de julho de 2019 | 16h48

Grupos bolsonaristas no Facebook estão identificando falsamente os personagens de uma foto do final dos anos 60 para atacar a jornalista Miriam Leitão. A imagem com atribuição enganosa começou a ser compartilhada nesta segunda-feira, 22. A foto mostra uma mulher que segura um fuzil ao lado do guerrilheiro Carlos Lamarca, na época em que ele ainda estava no Exército. Na sexta-feira, 19, o presidente Jair Bolsonaro espalhou outro boato falso sobre Miriam: a de que ela teria feito parte da luta armada na guerrilha do Araguaia.

Mulher na foto não é a jornalista Miriam Leitão. Foto: Reprodução/Facebook

Para encontrar o contexto original da foto que tem sido erroneamente associada à jornalista, basta utilizar uma ferramenta de busca reversa de imagem. Encontramos a foto no banco de imagens da Folhapress. De acordo com a catalogação no site da agência, a mulher é uma bancária do Bradesco. A fotografia foi tirada em um treinamento de defesa contra assaltos ministrado a 20 funcionários do banco no quartel de Quintaúna, em Osasco. O curso foi oferecido em janeiro de 1969 por oficiais do 2º Exército.

Na época em que a imagem foi feita, Lamarca era capitão do Exército. Ele desertou no mesmo ano para se juntar à luta armada contra a ditadura militar na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e, posteriormente, no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Consigo levou 63 fuzis e metralhadoras leves furtados do quartel. O guerrilheiro foi morto em 1971, no sertão da Bahia, após ser cercado por agentes da Operação Pajuçara, do Exército, sem condições de se opor à prisão.

Em 2014, um tribunal reconheceu o direito de Lamarca de ser promovido postumamente a coronel. No ano seguinte, no entanto, a indenização à família do guerrilheiro foi suspensa na Justiça.

Ao contrário de Lamarca, Miriam Leitão não se envolveu na luta armada. Durante a ditadura militar, a jornalista era militante do PC do B e atuava em atividades de propaganda, como distribuição de panfletos. Ela foi presa em 1972, enquanto ia para a praia com o então companheiro, Marcelo Netto. Na prisão, Miriam sofreu tortura e foi trancada nua em uma sala com uma jiboia. Na época, ela tinha 19 anos e estava grávida.

Não é a primeira vez que Miriam é acusada falsamente de ter pegado em armas durante a ditadura. O Estadão Verifica já desmentiu o boato de que a jornalista teria participado de um assalto ao banco Banespa durante o regime militar.

Este conteúdo foi selecionado para verificação por meio da parceria entre Estadão Verifica e Facebook (saiba mais aqui). Para sugerir checagens, envie uma mensagem ao número (11) 99263-7900.

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