Denúncia infundada feita por PMs sobre fraude em urnas volta a circular nas redes
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Denúncia infundada feita por PMs sobre fraude em urnas volta a circular nas redes

Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal apurou acusação feita por policiais em 2018 e concluiu não ter comprovação de erro na contagem dos votos

Alessandra Monnerat

27 de outubro de 2020 | 17h57

Uma denúncia infundada feita em 2018, sobre uma suposta fraude em urnas eletrônicas, voltou a circular nas redes sociais. Em vídeo publicado no Facebook, dois policiais militares do Distrito Federal dizem ter encontrado urnas com votos registrados antes mesmo do início  das eleições. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do DF apurou o caso e concluiu que a pessoa responsável por enviar os dados de votação ao fim do dia fez uma leitura equivocada de um relatório de funcionamento da urna. Tanto o TRE-DF quanto a Polícia Federal (PF) indicaram não haver comprovação de fraude.

Esse caso já foi apurado pelo Projeto Comprova em 2018. Os policiais que aparecem no vídeo foram acompanhar o depoimento na sede da PF de um homem que disse ter encontrado um suposto mau funcionamento em urnas eletrônicas na região de Guará, parte da 9ª Zona Eleitoral. O denunciante trabalhou como “servidor de transmissão” nas eleições — um cidadão convocado pela Justiça Eleitoral para trabalhar no dia das eleições, assim como os mesários. 

O tribunal regional afirmou que o homem fez uma interpretação errada de um relatório de funcionamento, que é impresso às 12h para indicar o bom desempenho do equipamento de votação. “Ele não tem o conhecimento para dizer o que estava dizendo. Ele não soube interpretar os dados. O policial agiu de maneira irresponsável”, disse à época a presidente do TRE-DF, Carmelita Brasil, sobre o caso.

Como mostrou o Comprova, o TRE-DF informou ainda que tanto o boletim de urna quanto a chamada zerésima foram emitidos sem qualquer alteração. O primeiro documento traz, ao final do dia, as informações de total de votos recebidos por cada candidato, partido político, votos brancos, votos nulos, número da seção, identificação da urna e a quantidade de eleitores que votaram. Já a zerésima é um relatório assinado no início da votação pelo presidente da seção, os mesários e os fiscais dos partidos ou coligações – ali se pode encontrar a identificação da máquina e a comprovação de que nela estão registrados todos os candidatos e que não há nenhum voto computado.

No Facebook, o vídeo com os policiais militares voltou a circular como se mostrasse um fato recente. A AFP também checou este conteúdo e apurou que os agentes que aparecem na gravação foram posteriormente condenados pelo crime de perturbação dos trabalhos eleitorais. Eles tiveram que pagar um salário mínimo a uma instituição de caridade.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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