Crucifixo usado pelo Papa tem cores de Pastoral Juvenil, não da bandeira LGBT
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Crucifixo usado pelo Papa tem cores de Pastoral Juvenil, não da bandeira LGBT

Foto foi compartilhada fora de contexto para atacar o líder da Igreja Católica e a população LGBTQIA+

Pedro Prata

13 de outubro de 2020 | 14h57

Uma foto em que o Papa Francisco usa um crucifixo colorido tem sido compartilhada fora de contexto nas redes sociais. Na imagem, o pontífice usa uma cruz com as cores da Pastoral Juvenil Latinoamericana, mas postagens no Facebook afirmam falsamente que o cordão faz referência à bandeira LGBT. Os posts, com ao menos 2,2 mil compartilhamentos, fazem ataques a Francisco e à população LGBTQIA+.

Crucifixo não fazia referência às cores da bandeira LGBT. Foto: Reprodução

A foto utilizada no boato foi publicada no Twitter da agência de notícias do Vaticano, a Vatican News, em 17 de outubro de 2018. Ela traz uma imagem ampliada do crucifixo que permite ver seus detalhes coloridos. “Jovens do Panamá junto com muitos padres sinodais latino-americanos deram ao Papa Francisco a cruz da Jornada Mundial da Juventude”, diz a postagem. “O Santo Padre os saudou com alegria e os abençoou.”

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é um evento da Igreja Católica que reúne jovens de todo o mundo. Ela foi instituída em 1986 pelo Papa João Paulo II e acontece a cada dois ou três anos. Em 2019, ocorreu pela primeira vez na América Central, na Cidade do Panamá.

As cores do crucifixo são as mesmas cores da Pastoral Juvenil Latinoamericana. Elas representam as regiões que formam o continente americano:

  • Verde: representa o México e a América Central;
  • Amarelo-alaranjado: representa o Caribe;
  • Vermelho: representa a Região Andina;
  • Azul: representa o Cone-Sul.

O Papa Francisco se tornou alvo de desinformação nas redes sociais no Brasil após comentar sobre a “perigosa situação da Amazônia e de seus povos indígenas” durante a Assembleia-Geral da ONU, em setembro. “Eles nos lembram que a crise ambiental está intimamente ligada a uma crise social e que o cuidado com o meio ambiente exige uma aproximação integrada para combater a pobreza e a destruição”, afirmou o Pontífice.

Uma checagem do Estadão Verifica mostrou que era falso um diálogo entre o Papa e Jair Bolsonaro no qual o presidente brasileiro teria mandado o Vaticano doar os bens da Igreja Católica para combater o desmatamento e a miséria no mundo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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