Postagem inventa diálogo entre Papa Francisco e Bolsonaro sobre a Amazônia
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Postagem inventa diálogo entre Papa Francisco e Bolsonaro sobre a Amazônia

Líder da Igreja Católica já se posicionou sobre a floresta brasileira, mas conversa divulgada em post no Facebook nunca existiu

Gabi Coelho, especial para o Estado

05 de outubro de 2020 | 16h19

Circula no Facebook um falso diálogo entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o Papa Francisco, em que o pontífice afirma que o problema da Amazônia é do Vaticano. Em resposta, Bolsonaro teria dito que, caso metade dos bens guardados nas galerias da Igreja fossem doados, os problemas da floresta e da miséria no mundo seriam resolvidos. Não há nenhum registro, na imprensa ou nas redes sociais, de que essa conversa tenha acontecido. Em nota, a assessoria do governo federal confirmou que o post analisado é falso. 

Um comentário similar ao mostrado no post foi compartilhado em fevereiro deste ano no perfil oficial do Papa Francisco no Twitter. Na ocasião, o pontífice divulgou um documento em que convida as pessoas a cuidarem da Amazônia, com as seguintes palavras: “Dirijo esta Exortação ao mundo inteiro, para ajudar a despertar a estima e solicitude pela Amazônia, que também é ‘nossa’”. A postagem de Francisco também usou a hashtag #QueridaAmazonia

Em resposta ao comentário do Papa, Bolsonaro afirmou em uma de suas lives que “a Amazônia é nossa, não é como o papa tuitou ontem não! A Amazônia é nossa e nós temos que preservá-la e fazer com que possamos então ser beneficiados com recursos de forma sustentável”. O presidente reforçou que a floresta pertence ao território brasileiro. 

O governo federal negou que Bolsonaro tenha respondido que o Papa deveria “doar metade dos bens guardados nas galerias do Vaticano resolveria o problema da Amazônia”. Procurado, o Vaticano não se pronunciou sobre o boato. 

O desmatamento na Amazônia e a reação virtual 

A proteção da Amazônia tem sido uma dos principais pontos de cobrança sobre o governo Bolsonaro. Também em fevereiro, a conta oficial do Papa Francisco no Twitter defendeu os direitos dos mais pobres e dos nativos da região Amazônica.

O ator americano Leonardo DiCaprio também compartilhou em suas redes críticas ao posicionamento do governo brasileiro sobre a preservação da floresta, questionando qual lado os seguidores escolheriam, “Bolsonaro ou Amazônia”. 

Em resposta, o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tuitou que DiCaprio poderia ajudar a financiar o projeto “Adote um Parque”, em que empresas estrangeiras podem auxiliar na preservação de reservas federais na região.

Bolsonaro aborda desmatamento na Amazônia na ONU

No discurso da Assembleia-Geral da ONU, Bolsonaro culpou indígenas e caboclos por queimadas na Amazônia. O presidente afirmou ser alvo de uma campanha de desinformação sobre a floresta. De acordo com ele, isso vem ocorrendo para que possam distorcer a imagem do governo atual. 

Estadão Verifica checou a fala de Bolsonaro e mostrou que as queimadas na Amazônia ocorreram principalmente em terras rurais. Focos de calor em terras indígenas corresponderam a 11% do total.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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