Conheça alguns ‘boatos zumbis’, mentiras que nunca morrem

Conheça alguns ‘boatos zumbis’, mentiras que nunca morrem

Apesar de notoriamente falsas, mensagens antigas ainda dominam boataria no WhatsApp

Alessandra Monnerat e Caio Sartori

21 de junho de 2018 | 10h37

O aplicativo de mensagens WhatsApp. Foto: Webster2703/Pixabay

Mesmo desmentidos diversas vezes, alguns boatos antigos resistem e continuam a circular. É o caso destes três rumores selecionados pela equipe do Estadão Verifica. As mentiras foram enviadas com frequência por leitores ao nosso canal de comunicação no WhatsApp. Para enviar fotos, vídeos, áudios e textos para checagem, basta encaminhar a mensagem para o número (11) 99263-7900.

+ Recebeu algum boato pelo WhatsApp? Envie para o Estadão Verifica

Pessoas vestidas de branco estão passando vírus HIV em medição de glicose?

Não é verdade. O boato é antigo: foi desmentido em 2014 e 2016, mas voltou a viralizar no ano passado, com o jogo Baleia Azul. Segundo o texto mentiroso, a Polícia Militar e a Vigilância Sanitária teriam alertado que pessoas vestidas de branco estariam passando de casa em casa, alegando medir a taxa glicêmica dos moradores, com a intenção de transmitir o vírus HIV

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Nada disso é verdadeiro. O alerta do qual fala a mensagem nunca foi feito. Na época em que o assunto bombou, várias prefeituras do Estado de São Paulo desmentiram a lenda urbana. Outro sinal de que o texto é mentiroso é a linguagem empregada. O boato fala de “aidéticos” — no entanto, a denominação é considerada pejorativa. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) rejeita o uso da palavra e recomenda os termos “pessoa vivendo com HIV”, “pessoa soropositiva”, “HIV positiva” ou “positiva”.

Sérgio Moro pediu voto nulo?

Um clássico dos boatos no WhatsApp é o texto em que Sérgio Moro supostamente pede para a população votar nulo em outubro. O pronunciamento do juiz, porém, nunca ocorreu. “Olá, amigos Patriotas! Aqui quem vos fala é o Juiz sergio Moro da lava jato. Hoje começo uma divulgação incansável no esclarecimento de como podemos acabar com os corruptos de carreira do nosso país!”, começa o texto.

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A mensagem promete uma forma de “eliminar 90% dos políticos corruptos em uma única vez”: votando nulo. A alegação, no entanto, é falsa. O voto nulo em massa não anula a eleição. Quando a Justiça Eleitoral contabiliza os votos de um pleito, só são considerados os votos válidos — ou seja, os nulos são descartados. A única possibilidade de anulação de uma eleição é via Justiça Eleitoral, caso ela comprove alguma irregularidade no andamento do processo eleitoral ou nas candidaturas.

Roraima foi dominada pelos americanos?

Este é um boato pré-WhatsApp, que nasceu nas correntes por e-mail e acabou parando no aplicativo de mensagens instantâneas. Trata-se de um texto com diversas informações erradas sobre o Estado de Roraima, atribuído à professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) Mara Silva Alexandre Costa. A acadêmica já desmentiu o rumor várias vezes. Em entrevista ao ‘G1’, ela conta que repassou o e-mail em 2004 e, desde então, sua assinatura é vinculada ao relato enganoso. A professora chegou até mesmo a ser procurada pela Polícia Federal.

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Uma das mentiras do texto é a de que 70% da área do Estado é composta por reservas indígenas. A proporção, na verdade, é bem menor: 46,2%, de acordo com o SIG/ISA (Instituto Socioambiental). Outra afirmação falsa é sobre a suposta livre circulação de americanos em Roraima. Como parte da federação, o Estado segue as mesmas regras de migração do restante do País.

O viral também afirma que só existe uma rodovia em Roraima — mas o Estado têm seis, que totalizam 1.481,93 quilômetros. Outra falsidade é dizer que não há indústrias ali. Na realidade, o setor corresponde a 8,69% do PIB estadual, segundo estimativa para o ano de 2017 da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento de Roraima. 

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