Homem que aparece em foto com Bolsonaro é Alberto Fraga, não ‘Aristides’

Homem que aparece em foto com Bolsonaro é Alberto Fraga, não ‘Aristides’

Páginas de opositores ao presidente tiram imagem de contexto e fazem insinuações de cunho homofóbico

Pedro Prata

30 de novembro de 2021 | 17h51

Postagens com teor homofóbico nas redes sociais tiram de contexto uma foto antiga de Jair Bolsonaro. Páginas de opositores ao presidente compartilham uma imagem em que ele aparece de mãos dadas com outro homem e afirmam se tratar de um “professor de judô” no Exército chamado Aristides, sugerindo que eles teriam uma relação homoafetiva. Na verdade, o homem é o ex-deputado federal Alberto Fraga.

Imagem é tirada de contexto por opositores do presidente. Foto: Reprodução

O mecanismo de busca reversa de imagens do Google (veja aqui como fazer) localizou a foto publicada inicialmente pela revista Crusoé, em 6 de setembro de 2019. A publicação identifica o homem como Alberto Fraga (DEM-DF), coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal e ex-deputado federal. Ele foi colega de Bolsonaro na Escola de Educação Física do Exército e amigo do presidente por 40 anos.

O jornal Folha de S. Paulo publicou a foto em reportagem do dia 20 de setembro de 2020. A legenda informa que Bolsonaro e Fraga estavam com a turma da Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, em 1982.

Boato homofóbico tem origem incerta

O termo “noivinha do Aristides” foi um dos assuntos mais comentados no Twitter na segunda-feira, 29. A frase viralizou após uma mulher ter gritado ofensas a Bolsonaro durante visita do presidente a Resende, no Rio de Janeiro. Ela foi detida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e levada para a sede da Polícia Federal (PF).

A Folha de S. Paulo teve acesso ao boletim de ocorrência registrado pela corporação. O documento informa que a mulher usou palavras de “baixo calão” e que teria dito “Bolsonaro filho da p***”. Não há menção ao apelido pejorativo “noivinha”.

Em nota, a PRF informou ao Estadão Verifica que “a passageira de um veículo gritou palavras que configurariam a princípio o crime de injúria contra o presidente”, sem informar quais seriam essas palavras.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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