Trapalhada aumenta pressão sobre líderes

Trapalhada aumenta pressão sobre líderes

Coluna do Estadão

16 de abril de 2019 | 05h00

Major Vitor Hugo durante sessão da CCJ. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A trapalhada governista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), além de atrasar a tramitação da reforma da Previdência, fez crescer a sensação na Câmara de que a articulação política pró-Jair Bolsonaro só vai andar na Casa quando, não apenas um, mas os dois líderes, Major Vitor Hugo (o do governo) e Delegado Waldir (o do PSL), deixarem seus postos. Parlamentares reclamam ainda da falta de um sinal claro do Planalto. Ninguém sabe definir ou diferenciar qual é o papel de Onyx Lorenzoni e o de Santos Cruz na articulação.

Como assim? Governistas tiveram todo o desgaste de insistir em manter a Previdência à frente dos trabalhos na CCJ. Depois, contudo, votaram a favor da inversão da pauta, com o orçamento impositivo antes.

Melhor desenhar. O que poderia ter sido rápido, votar o orçamento impositivo e seguir com Previdência, acabou durando o dia inteiro. Major Vitor Hugo demorou a entender a estratégia.

Climão. Os dois líderes, do PSL e do governo, não se gostam (não é de hoje) e não traçam estratégias conjuntas. Resultado: derrotas.

No grito. Questionado por que o PSL não votou contra inversão de prioridades (contra orçamento antes da Previdência), mesmo que fosse para marcar posição, Delegado Waldir (GO) foi explícito: para não parecer derrota do governo.

Estratégia… A entrevista do líder do PSL ao Estado, na qual ele afirmou que Rodrigo Maia é o “primeiro-ministro” do País, também ajudou a azedar o leite na articulação do governo.

…camicase. Um deputado encontrou Waldir e brincou: “Você quer roubar o lugar do José Guimarães (PT-CE) na oposição?”.

Até 45… Depois da eleição e até o fim da legislatura passada, sete dos dez deputados que mais gastaram cota parlamentar já sabiam que não estavam reeleitos.

…do segundo tempo. No topo da lista, está Fernando Torres (PSD-BA), que, depois de dois mandatos consecutivos, não conseguiu se manter na Câmara. Seu gasto foi superior a R$ 348 mil, entre 8 de outubro e 31 de dezembro do ano passado.

SINAIS PARTICULARES
Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Contra… Impulsionados pela decisão do ministro Alexandre de Moraes de tirar do ar reportagem da revista Crusoé que cita o ministro Dias Toffoli, senadores se reúnem hoje para definir estratégia jurídica e voltar a pressionar o Senado pela CPI da Lava Toga.

…ataque. Uma das táticas estudadas é a de apresentar um mandado de segurança dentro da ação proposta pela Rede, questionando o inquérito presidido por Moraes no Supremo Tribunal Federal. Outra linha é sugerir uma CPI com foco apenas no STF.

CLICK. Cotado para relatar Previdência na comissão especial, Eduardo Cury acompanhou a CCJ ao lado dos técnicos por falta de espaço junto aos demais deputados.

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

CSI… Ao prender um integrante do PCC pelo assassinato de um agente penitenciário em Catanduvas, a PF descobriu o envolvimento dele no assalto de R$ 11,8 milhões de uma transportadora de seguros no Paraguai e na explosão de um caixa em Campo Grande.

…Brasil. A descoberta aconteceu esta semana por causa de um exame de DNA. Um dos pontos que encontram resistência no pacote do ministro Sérgio Moro é justamente a criação de um banco nacional com material genético.

BOMBOU NAS REDES!

Senador Major Olimpio (PSL-SP). FOTO: ROQUE DE SÁ/AG. SENADO

Major Olímpio, líder do PSL no Senado (SP): “De repente, o STF pode determinar que um jipe com um cabo e dois soldados encoste no Senado”, sobre a decisão da Corte de mandar revista tirar reportagem do ar.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU CAIO SARTORI

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