Temor de onda contra a Lava Jato deixa time de Sérgio Moro em alerta

Temor de onda contra a Lava Jato deixa time de Sérgio Moro em alerta

Alberto Bombig, Camila Turtelli e Matheus Lara

06 de janeiro de 2022 | 05h00

O pré-candidato a presidente pelo Podemos, Sérgio Moro. À frente, o desafio de tentar minimizar efeitos de onda antilavajatista. Foto: Dida Sampaio/Estadão.

Não tem sido tarefa fácil na pré-campanha de Sérgio Moro (Podemos) à Presidência achar soluções práticas e rápidas à constatação do surgimento de uma onda antilavajatista no debate eleitoral deste ano. Apesar de ainda distante do segundo turno, Moro tem sido alvo prioritário de quem vê crime e desvios na condução das investigações na operação Lava Jato. Temerosos de que a união de adversários consolide o antilavajatismo como tendência e afete o crescimento do ex-juiz nas pesquisas, aliados dele se dividem entre os que esperam que Moro fale de forma clara sobre o impacto da corrupção na vida pública e os que o aconselham apenas a deslocar sua agenda para outros temas.

VIRA O DISCO. “Queremos deslocar o debate para o campo da economia, dos problemas sociais, do desenvolvimento. Sabemos que não dá para escapar desse embate pró e contra a Lava Jato e isso pode ganhar corpo entre políticos”, disse o senador Alvaro Dias (Podemos-PR).

AO ATAQUE. “Eles (aliados de Sérgio Moro) têm que estar preocupados. É o momento de mostrar e lembrar os abusos da operação”, disse, do outro lado, Carlos Lupi, presidente do PDT.

LÁ E CÁ. A operação da Polícia Civil nesta quarta-feira, 5, contra Márcio França (PSB-SP), entusiasta da aliança entre Lula (PT) e Geraldo Alckmin, foi criticada pelos petistas e também por Ciro Gomes (PDT) e sua “turma”. “É o lavajatismo tentando incriminar um concorrente”, disse Lupi. Ciro também foi alvo de ação, da Polícia Federal, em dezembro, e se defendeu na mesma linha.

CLICK. Joice Hasselmann (PSL-SP), deputada federal

Ex-líder do governo lança vídeos documentais para se apresentar “por trás da tribuna”. Na estreia, fala da relação difícil com os filhos de Jair Bolsonaro.

CALMA LÁ. Coube ao deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) acalmar os ânimos, em áudio a que a Coluna teve acesso, numa discussão entre o seu colega de Câmara Carlos Jordy (PSL-RJ) e o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente da República.

EM PÚBLICO? Silveira pediu para que um entrevero público entre Jordy e Carlos sobre apoio do presidente Bolsonaro a deputados e senadores, fosse retirada de páginas gerenciadas por seus apoiadores.

DEIXA DISSO. “Não compensa esse tipo de antagonismo. Quer brigar? Vai pra dentro da cozinha, tampa na porrada com o desafeto, no final, dá a mão e sai de mão dada para o público, para mostrar unicidade”, disse Daniel Silveira no áudio. “A última coisa que o presidente Bolsonaro precisa é de briga entre sua base”.

NÃO OLHE… Não bastasse a intensa pressão da oposição e até do Supremo sobre Augusto Aras, o PGR terá pela frente neste 2022 um grande desafio interno: o descontentamento do Ministério Público Federal com o Poder Executivo.

…PARA CIMA. Em privado, procuradores dizem que Aras tem de enviar a Bolsonaro a fatura capaz de garantir a “recomposição salarial” da categoria. Aras é acusado de fazer vista grossa aos desmandos do presidente.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Augusto Aras, procurador-geral da República

PRONTO, FALEI! Elena Landau, economista

“A campanha do PT tem slogan pronto: ‘Queridos, encolhi a Dilma’”, sobre Guido Mantega ter omitido os anos Dilma ao apresentar diretrizes de Lula para a economia.

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